segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Carlos e a garota de verdade ou sobre amor, idealismo e realidade

Kilômetros percorri para testemunhar essa união, corri demais só para vê-los, meus bens! et, voilá... as singleas palavras que ofertei aos noivos:

Os ideais e modelos costumam engessar nossas vidas, por isso sempre relutei contra o ideal do amor romântico que nos ensinam nas histórias da Disney, príncipes e princesas, etc... Eles não são experienciáveis e nos causam frustração.
Há um tempo, meu querido amigo Carlos me contou que estava namorando uma moça chamada Andréia e depois de inúmeras tentativas mal sucedidas de conhecê-la concluí que ele estava ‘variando’... Vejam bem, a tal moça, de quem eu só via os perfis em redes sociais era tão linda que parecia uma modelo de capa de revista. Eu achei então que ela só existia na imaginação fértil do Dom: pobre rapaz, estava inventando para si uma namorada perfeita!
Um dia, porém, eu pude tocá-la e pasmei: não é que existe uma mulher tão linda, meiga e simpática que um modelo pode até ser real?!! Ela é uma garota de verdade tal como o Carlos merecia...
Essa experiência me fez perceber que até mesmo o meu ceticismo com o amor é uma sorte de idealismo e que os símbolos permeiam a nossa vida como um real pulsante. Estes mesmos que os trouxeram hoje a este altar sagrado, para tornar carne nessa cerimônia ‘a sorte de um amor tranqüilo com sabor de fruta mordida...’
Feito esse rito de passagem, agora marido e mulher descerão deste mesmo altar e passarão pelo caminho de pétalas de flores pelo qual a noiva chegou. As pétalas, símbolo de tantos ideais de amor, de beleza, de romance, se tornaram agora o chão já pisado, se misturaram ao pó da estrada real que seus pés irão trilhar... Para lembrar que o amor para que seja ‘de verdade’ deve abrir mão da perfeição idealizada e se fazer encarnado no tecido do cotidiano ordinário. Isso que vocês vivem meus amados amigos, não deveria, como diz Paulinho Moska numa de suas canções, “se chamar amor” 

O amor que eu te tenho é um afeto tão novo
Que não deveria se chamar amor
De tão irreconhecível, tão desconhecido
Que não deveria se chamar amor
Poderia se chamar nuvem
Porque muda de formato a cada instante
Poderia se chamar tempo
Porque parece um filme que nunca assisti antes
Poderia se chamar labirinto
Porque sei que não conseguirei escapulir 
Poderia se chamar aurora
Pois vejo um novo dia que está por vir
Poderia se chamar abismo
Pois é certo que ele não tem fim
Poderia se chamar horizonte 
Que parece linha reta, mas sei que não é assim
Poderia se chamar primeiro beijo
Porque não lembro mais do meu passado
Poderia se chamar último adeus
Que meu antigo futuro foi abandonado
Poderia se chamar universo
Porque sei que não o conhecerei por inteiro
Poderia se chamar palavra louca
Que na verdade quer dizer aventureiro
Poderia se chamar silêncio
Porque minha dor é calada e meu desejo é mudo
E poderia simplesmente não se chamar 
Para não significar nada e dar sentido a tudo