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quinta-feira, 18 de abril de 2013

... este-nord-este ...

"...tem é coisa!"

quando voltei de minha viagem ao velho mundo, caí de amores pela ilha da magia, como é normal de quem sofre de tendência aguda a paixonites. jurei meu amor a este pedacinho de terra de belezas sem par e prometi que só a deixaria se pelo nordeste do brasil... porque dizia isso eu não sei, só sei que os céus entenderam como uma prece e me providenciaram a oportunidade de flertar com esse novo affaire!
por duas vezes pude visitar a capital pernambucana em ocasiões bem especiais, a primeira no seu famoso carnaval e a segunda, recentemente, oportunidade de conhecer um cadinho do interior (a próxima visita esta agendada para a festa de São João!!)

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na estrada que nos levou de Recife até Caruaru, muitos buracos no asfalto e seca transformando a paisagem de agreste em semblante de sertão...

buracos em mim também, pude contemplar a vastidão do mundo, ah se eu me chamasse raimundo...

nestes tantos mil quilômetros que nos separam ao sul do país, muita coisa muda minha gente, muda a cor, muda os cheiros, muda o sorriso, mudam os sons...

então qualquer verde parece que vira ouro, tantos os comentários: olha que lindo, verdinho verdinho...

vovó, vira "bobó" e nos recebe com um sorriso nos olhos....

café da manhã vira almoço e a gente come de um tudo na primeira refeição do dia, prova cuscuz e fica com água na boca...

muié vira homi, que nem assim, no grande sertão veredas, guardando a beleza e fazendo a gente entender na pele aquela expressão: mulher bonita é a que luta...

seca vira fartura na mesa da casa de uma comunidade virada em família, comida gostosa que alimenta a alma...

véia vira moça e dança forró equilibrando garrafa de cerveja na cabeça...

ou será equilibrando a vida? 
já que "viver é [mesmo] negócio muito perigoso" e que "o sertão vai virar mar", neste caso navegar é viver preciso!


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terça-feira, 5 de junho de 2012

a ontologia de Grande Sertões Veredas (I)

algumas descobertas ontológicas na minha mais nova leitura das horas de folga...

"De primeiro, eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía. Não possuía os prazos. Vivi puxando difícil de  difícel, peixe vivo no moquém: quem mói no asp'ro, não fantasêia. Mas, agora, feita a folga que me vem, e sem pequenos dessassossegos, estou de range rede. E me inventei neste gosto, de especular idéia. O diabo existe e não existe? Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso..." (p. 26)

"Que o que gasta, vai gastando o diabo de dentro da gente, aos pouquinhos, é o razoável sofrer. E a alegria do amor - compadre meu Quelemém diz. Família. Deveras? É, e não é. O senhor ache e não ache. Tudo é e não é... Quase todo mais grave criminoso feroz, sempre é muito bom marido, bom filho, bom pai, e é bom amigo-de-seus-amigos! Sei desses. Só que tem o depois - e Deus, junto. Vi muitas nuvens." (p. 27-28)

problema de método:

"Como é de são efeito, ajudo com meu querer acreditar. Mas nem sempre posso. O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, forro, sou nascido diferente. Eu sou é eu mesmo. Divêrjo de todo mundo... Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa. O senhor concedendo, eu digo: para pensar longe, sou cão mestre - o senhor solte em minha frente uma idéia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos os matos, amém!" (p. 31)