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domingo, 9 de março de 2014

Vazio, solidão e amor na cidade ....


... Medianeras e a fotografia de Atget. (para se ler ouvindo http://youtu.be/xiLPaW2TYHU)


Ontem revi o filme Medianeras e hoje descobri (tardiamente eu sei...) a arte de Eugène Atget. Inspirada pela minha amiga Eliana Kuster (arquiteta e apaixonada por História da Arte, pela cidade e por cinema), que vai proferir uma fala sobre o filme em Vitória, resolvi arranhar aqui uma relação que me saltou aos olhos tão logo comecei a investigar a fotografia de Atget.

Na película do argentino Gustavo Taretto dois personagens, Mariana e Martin, enfrentam de formas diferentes a solidão contemporânea petrificada na arquitetura de Buenos Aires. A reflexão mais do que atual sobre nossas edificações, sobre a relação com belo e a moradia está colocada para ambos. Mariana, arquiteta formada, reclama das Medianeras [i] que não deixam a claridade entrar em seu apartamento e a isolam ainda mais do mundo. A ausência de janelas em sua parede aponta para a ausência de janelas da alma que se vê estimulada a relações virtuais, na impossibilidade de comunicação com sujeitos reais (ou ditos reais, mas aí já é outra discussão), não porque eles não existam, mas porque a comunicação está cada dia mais truncada como os milhões de fios e postes que nas cidades nos impedem de ver o sol, apesar de ironicamente nos “aproximarem” das pessoas mais distantes. Martin sofre de fobia social e está em tratamento, também reclama de uma cidade que virou as costas para o seu rio e adere as relações virtuais que não o obrigam a enfrentar seu emparedamento, embora este o afronte o tempo todo. É um filme sobre solidão e amor, sobre a possibilidade de abrir buracos no capitalismo contemporâneo para reencontrar afetos e relações para além ou aquém dele.




Eugène Atget (1857-1927) é considerado o pai da fotografia moderna, foi um dos pioneiros no uso do recurso fotográfico para registrar paisagens deslocando os sujeitos de cena. Ele não fotografa retratos, mas o vazio das ruas parisienses quando as pessoas estão ausentes. A solidão dos objetos, das vitrines. Ele também é considerado como o primeiro surrealista e teria inspirado esse movimento.



Alguns paralelos me parecerem óbvios [não é por isto que não merecem ser analisados, muito pelo contrário] entre seus elementos e os do filme (para além de Buenos Aires ser considerada a Paris sul-americana). Martin está em tratamento de sua fobia e seu psiquiatra lhe recomenda que registre fotograficamente a cidade, a beleza, coisas que dela lhe agradem e que possam fazê-lo gostar de ali estar, momentos perdidos para o olhar desatento. Mariana trabalha como vitrinista e reflete sobre os desejos colocados na vitrine, mas não só, também sobre sua individualidade ali exposta, no anseio de ser talvez vista, através de seu trabalho. Sua dor fica no meio termo entre o coletivo e o individual, não podendo ser apreendida na reflexão. Atget fez uma série de fotos de vitrines parisienses também. Ele se recusava a retratar pessoas, mas retratou os simulacros sociais, aquilo que está ali como modelo a ser desejado, aquilo que coletivamente os indivíduos desejam ou deveriam ser e/ou ter.[ii]























A fotografia - terapia - como arte de guardar o que os indivíduos perdem na cidade, seu “habitat natural”, lugar onde ocupam e se ocupam. Atget já sabia que seria assim, os espaços públicos se tornariam, paulatinamente meios apenas de passagens, para indivíduos que não podem ocupá-los, pois já não são mais sujeitos determinados. O sujeito que Atget tirou da cena, hoje já não sabe mais como se colocar nela. Os meios são muitos, difusos, complexos, confusos e contraditórios. Estamos a um clique dos lugares e pessoas mais distantes e estamos tão longe de nós mesmos visto que nem sequer sabemos onde estamos. A cidade como um palco, um cenário de atuação... A pergunta, conectados a que? A quem? Quem conectadx? Nesse emaranhado de fios é um luxo necessário encontrar algo ou alguém, um projeto, um lugar para repousar.... Um descanso para as infindas urgências sem telos que nos são colocadas e que colamos....
















[i] (pared medianera é nome dado àquelas paredes sem janelas dos edifícios, também chamadas de paredes cegas. Geralmente, são as paredes laterais de um prédio, que, por sua proximidade com o edifício vizinho, não se pode "abrir janelas". Muitas vezes, estes espaços são usados para afixar outdoors ou algum tipo de publicidade. Na Argentina a construção de janelas em paredes medianeras é proibida por lei, ainda assim muitos descumprem a ordem, em busca de mais claridade em seus apartamentos. Naquele país as medianeras são fontes de muitas brigas judiciais)Fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Medianeras

[ii] Ver mais sobre http://lounge.obviousmag.org/f64_straight_writing/2012/11/as-vitrines-de-eugene-atget-a-cidade-o-fotografo-e-seus-simulacros.html       

sábado, 1 de fevereiro de 2014

des-re-encontros!

"a vida é a arte do encontro, pena que haja tanto desencontro pela vida" disse o poetinha, eu concordo com ele, sempre de acordo, só essa pena me incomoda.... é que do desencontro nascem muitos belos encontros, os melhores eu diria... nesse caso sou mais a florbela: "e se um dia hei de ser pó, cinza e nada, que seja minha noite uma alvorada, que saiba me perder para me encontrar"....

só ao desencontrado se pode encontrar, só o desencontrado pode se encontrar, só os desencontrados se encontram!

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das coisas que aprendo quando me perco...



Sagrada escritura dos violeiros
"A defesa é natural
Cada qual para o que nasce
Cada qual com sua classe
Seus estilos de agradar
Um nasce pra trabalhar
Outro nasce para briga
Outro vive de intriga
E outro de negociar
Outro vive de enganar
O mundo só presta assim
É um bom outro ruim
E eu não tenho jeito para dar
Pra acabar de completar
Quem tem o mel, dá o mel
Quem tem o fel, dá o fel
Quem nada tem, nada dá"

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

prece com sotaque


"Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa." Ariano Suassuna


hoje eu conheci um santo vivo, um santo brasileiro, um santo nordestino. não foi só porque ele citava a bíblia e os sermões de padre antônio vieira, nem tampouco por sua profissão de fé escancarada em cristo. nessa que foi a missa mais emocionante de que eu participei até hoje, eu conheci um santo em luta por uma causa. eu me senti intimamente exortada, tocada, tive minha fé despertada. sua causa: o brasil, os brasileiros, nossa língua e nossa cultura. ah, ouvir esse dom quixote arcaico, montado em seu gregório, falando de preguiça, de mentira, da sonoridade do português, de amor, suas armas em sua cruzada pessoal. lutando para que paremos de dar osso a quem precisa de filé. os risos na manhã de hoje foram fáceis, gargalhadas, mas a reflexão é dura, é intensa e lenta... a tarde exige a boa preguiça. pois a aula foi espetáculo daquele em que se entra sem sair, porque não se é mais a mesma ao final...

quinta-feira, 18 de abril de 2013

... este-nord-este ...

"...tem é coisa!"

quando voltei de minha viagem ao velho mundo, caí de amores pela ilha da magia, como é normal de quem sofre de tendência aguda a paixonites. jurei meu amor a este pedacinho de terra de belezas sem par e prometi que só a deixaria se pelo nordeste do brasil... porque dizia isso eu não sei, só sei que os céus entenderam como uma prece e me providenciaram a oportunidade de flertar com esse novo affaire!
por duas vezes pude visitar a capital pernambucana em ocasiões bem especiais, a primeira no seu famoso carnaval e a segunda, recentemente, oportunidade de conhecer um cadinho do interior (a próxima visita esta agendada para a festa de São João!!)

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na estrada que nos levou de Recife até Caruaru, muitos buracos no asfalto e seca transformando a paisagem de agreste em semblante de sertão...

buracos em mim também, pude contemplar a vastidão do mundo, ah se eu me chamasse raimundo...

nestes tantos mil quilômetros que nos separam ao sul do país, muita coisa muda minha gente, muda a cor, muda os cheiros, muda o sorriso, mudam os sons...

então qualquer verde parece que vira ouro, tantos os comentários: olha que lindo, verdinho verdinho...

vovó, vira "bobó" e nos recebe com um sorriso nos olhos....

café da manhã vira almoço e a gente come de um tudo na primeira refeição do dia, prova cuscuz e fica com água na boca...

muié vira homi, que nem assim, no grande sertão veredas, guardando a beleza e fazendo a gente entender na pele aquela expressão: mulher bonita é a que luta...

seca vira fartura na mesa da casa de uma comunidade virada em família, comida gostosa que alimenta a alma...

véia vira moça e dança forró equilibrando garrafa de cerveja na cabeça...

ou será equilibrando a vida? 
já que "viver é [mesmo] negócio muito perigoso" e que "o sertão vai virar mar", neste caso navegar é viver preciso!


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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Carlos e a garota de verdade ou sobre amor, idealismo e realidade

Kilômetros percorri para testemunhar essa união, corri demais só para vê-los, meus bens! et, voilá... as singleas palavras que ofertei aos noivos:

Os ideais e modelos costumam engessar nossas vidas, por isso sempre relutei contra o ideal do amor romântico que nos ensinam nas histórias da Disney, príncipes e princesas, etc... Eles não são experienciáveis e nos causam frustração.
Há um tempo, meu querido amigo Carlos me contou que estava namorando uma moça chamada Andréia e depois de inúmeras tentativas mal sucedidas de conhecê-la concluí que ele estava ‘variando’... Vejam bem, a tal moça, de quem eu só via os perfis em redes sociais era tão linda que parecia uma modelo de capa de revista. Eu achei então que ela só existia na imaginação fértil do Dom: pobre rapaz, estava inventando para si uma namorada perfeita!
Um dia, porém, eu pude tocá-la e pasmei: não é que existe uma mulher tão linda, meiga e simpática que um modelo pode até ser real?!! Ela é uma garota de verdade tal como o Carlos merecia...
Essa experiência me fez perceber que até mesmo o meu ceticismo com o amor é uma sorte de idealismo e que os símbolos permeiam a nossa vida como um real pulsante. Estes mesmos que os trouxeram hoje a este altar sagrado, para tornar carne nessa cerimônia ‘a sorte de um amor tranqüilo com sabor de fruta mordida...’
Feito esse rito de passagem, agora marido e mulher descerão deste mesmo altar e passarão pelo caminho de pétalas de flores pelo qual a noiva chegou. As pétalas, símbolo de tantos ideais de amor, de beleza, de romance, se tornaram agora o chão já pisado, se misturaram ao pó da estrada real que seus pés irão trilhar... Para lembrar que o amor para que seja ‘de verdade’ deve abrir mão da perfeição idealizada e se fazer encarnado no tecido do cotidiano ordinário. Isso que vocês vivem meus amados amigos, não deveria, como diz Paulinho Moska numa de suas canções, “se chamar amor” 

O amor que eu te tenho é um afeto tão novo
Que não deveria se chamar amor
De tão irreconhecível, tão desconhecido
Que não deveria se chamar amor
Poderia se chamar nuvem
Porque muda de formato a cada instante
Poderia se chamar tempo
Porque parece um filme que nunca assisti antes
Poderia se chamar labirinto
Porque sei que não conseguirei escapulir 
Poderia se chamar aurora
Pois vejo um novo dia que está por vir
Poderia se chamar abismo
Pois é certo que ele não tem fim
Poderia se chamar horizonte 
Que parece linha reta, mas sei que não é assim
Poderia se chamar primeiro beijo
Porque não lembro mais do meu passado
Poderia se chamar último adeus
Que meu antigo futuro foi abandonado
Poderia se chamar universo
Porque sei que não o conhecerei por inteiro
Poderia se chamar palavra louca
Que na verdade quer dizer aventureiro
Poderia se chamar silêncio
Porque minha dor é calada e meu desejo é mudo
E poderia simplesmente não se chamar 
Para não significar nada e dar sentido a tudo









terça-feira, 25 de setembro de 2012

samba, teatro, praia, amigos: é, primavera, te amo!

Quase no ponto de pôr uma "pedra final" numa fase da minha vida (aquela mencionada no último post de séculos atrás...), nada como o início de uma nova estação para 're-voltar' por aqui...

Foto do Noel há um ano atrás mais ou menos...
O primeiro dia da primavera começou muito bem por estas paradas, foi um final de semana alegre e o Canto do Noel, com sua tradicional feijoada, regada ao samba do lindo grupo "um bom partido" estava, sei lá, parecendo mágico, entende?
Tinha um axé pairando no ar, as pessoas riam fácil e foi um dia propício para novas amizades...

ah tá! explico: O Canto do Noel é um bar tradicional aqui de Floripa, um boteco, daqueles que a gente se sente em casa. Homenageia ao samba no nome e na programação de sábado já mencionada. Fica na Travessa Ratclif, um beco do centro antigo da ilha onde gosto muito de estar (olha só que belezura escreveram sobre aqui)....

Para completar, domingo foi dia de ir ao saudoso teatro - que não frequentava para uma ver uma boa festa desde o festival do ano passado que, por sinal, tá rolando agora, se liga aí no Floripateatro! - e assistir "As Polacas - Flores do Lodo", no Pedro Ivo. A peça narrava a luta contra o estigma das judias polonesas que vieram para o Brasil, fugindo das condições de vida e da persguição religiosa que assombravam o cenário europeu desde o início do século e que acabavam prostitutas por aqui. Falava sobre suas dores, suas conquistas, sobre ser mulher, ser minoria. Sobre amizade, sobre samba. Aliás, pensei muito no samba e na beleza de se transformar dor em música alegre, contagiante, dançante...  A peça se ambienta na Praça Onze, berço deste ritmo brasileiro e da boemia carioca... Enfim, super recomendo se um dia puderem ver. Muito bem montada, com efeitos especiais na medida, recortes temporais bem feitos, multimídia, musical, etc. Apenas a acústica do teatro deixou a desejar e por vezes não dava para compreender as falas.


A primavera chegou então, mudando tudo, amores se indo, paixões se dissipando e agora até um friozinho tardio veio trazer questões aos corações de corpos solitários. Pessoas chegando, pessoas partindo, beijos despretensiosos, lágrimas, risos... Só pra não dizer que não falei das flores que embelezam esta estação colorida em que as borboletas ficam mais faceiras do que de costume! ;)
Novos sorrisos amigos para minha coleção...
... com seu Lídio, parte do patrimonio do local!








quinta-feira, 7 de junho de 2012

contre l'amour...

E nas minhas escapulidas para fora da tese, entre sertões e veredas, agora é que são elas e as corridas abandonadas, a paixão pela língua francesa me conduz a novas descobertas, y compris, a da voz agradável da múltipla e lindamente retrô Carla Bruni, que confesso ter ignorado quando dividia com ela as ruas da mesma cidade... Nascida na Itália, filha de um brasileiro (coisa que só descobriu mais tarde), criada na França e na Suiça, a ex-primeira dama francesa, estudou na Sorbonne, foi modelo, é cantora e atriz, escreveu essa letra instigante, cantou contra o amor e se casou com o então presidente Nicolas Sarkozi, tornando-se uma figura no mínimo curiosa...
E essa letra da música "L'amor", hum hum, pontual... Voilá,
"c'est une chanson contre l'amour qui s'appele: L'amour, non, non, ... non, c'est un blues" (É uma canção contra o amor, que se chama: O Amor, não, não, ... não, é um blues)




L'amour, hum hum, pas pour moi,   O amor, hum hum, não para mim
Tous ces "toujours",   Todos esses "sempre"
C'est pas net, ça joue des tours,   Não é claro, engana,
Ca s'approche sans se montrer,   Se aproxima sem se mostrar
Comme un traître de velours,   Como um traidor em veludo
Ca me blesse, ou me lasse, selon les jours,   Me abençoa, ou me desgosta, conforme os dias

L'amour, hum hum, ça ne vaut rien,   O amor, hum hum, não vale nada,
Ça m'inquiète de tout,   Me inquieta demais,
Et ça se déguise en doux,   E se traveste em doce,
Quand ça gronde, quand ça me mord,  Quando rosna, quando me morde,
Alors oui, c'est pire que tout,   Então, sim, é pior que tudo,
Car j'en veux, hum hum, plus encore,   Pois eu quero, hum hum, ainda mais,

Pourquoi faire ce tas de plaisirs,   Porque dar tantos prazeres,
de frissons, de caresses, de pauvres promesses ?   "frissons", carinhos, pobres promessas?
  À quoi bon se laisser reprendre   Que de bom em se deixar recair,
Le coeur en chamade,   o coração acelerado,
Sans rien y comprendre ?  sem nada compreender?
C'est une embuscade...  É  uma emboscada...

L'amour hum hum,   O amor, hum hum
C'est pas du Yves Saint Laurent,   Não é um "Yves Saint Laurent"
Ca ne tombe pas parfaitement,   Não cai perfeitamente,
Si je ne trouve pas mon style ce n'est pas faute d'essayer,   Se não encontro meu estilo, não é por não tentar
Et l'amour, hum hum,  j'laisse tomber !   E o amor, hum hum, deixo passar!

Pourquoi faire ce tas de plaisirs,   Porque dar tantos prazeres,
de frissons, de caresses, de pauvres promesses ?   "frissons", carinhos, pobres promessas?
  À quoi bon se laisser reprendre   Que de bom em se deixar recair,
Le coeur en chamade,   o coração acelerado,
Sans rien y comprendre ?  sem nada compreender?
C'est une embuscade...  É  uma emboscada...

L'amour, hum hum, j'en veux pas   O amor, hum hum, eu não quero
J'préfère le temps en temps   Eu prefiro o de tempos em tempos
Je préfère le goût du vin   Eu prefiro o gosto do vinho
Ou le goût étrange et doux de la peau de mes amants,   Ou o gosto e estranho e doce da pele de meus amantes
Mais l'amour, hum hum, pas vraiment !   Mas, o amor, hum hum, não mesmo!

(tradução livre de minha autoria, que infelizmente não conseguiu guardar a poeticidade da letra, - aceito sugestões ;) sempre - que foi tirada do site do terra, mas fiz algumas modificações que me pareceram necessárias)

sexta-feira, 16 de março de 2012

o outro, eu e os velhos enredos...

Há tempos escrevi um post sobre lugares-comuns... Contaminada que estou pela minha própria vida e pela minha própria tese, tenho pensado muito nos enredos comuns. Quer dizer, se existem certas frases que sempre cabem para certos momentos, isso significa que as histórias se repetem. Arrisco a dizer que há um número que pode até ser grande, mas limitado, de enredos para atuarmos na vida. Atuarmos, humpf! Me parece mesmo que é só o que nos resta, quando muito poderíamos escolher em que papel jogaríamos, mas, mesmo quanto a isso ainda tenho minhas dúvidas. Quem é que os escreve afinal? E quem é que dirige essa peça? A acadêmica que mora em mim tem uma resposta pronta: o outro! Que outro?? Aquele que não sou eu, que não é ninguém e que decidiu que as pessoas se apaixonam e sofrem e se apaixonam e sofrem de novo, que são filhos e pais, irmãos, melhores amigos, inimigos declarados, preguiçosos ou brasileiros que não desistem nunca! Aí quando vem o adolescente desabafar seus problemas com os pais, nós podemos dizer: calma, isso é uma fase, logo você vai ver que eles têm razão! É a mesma história que se repete, por isso temos uma fala pronta (a fala falada para os iniciados em Merleau-Ponty), e aí "eu" posso me justificar, afinal, embora seja de escorpião, tenho ascendente e vários astros em virgem, isso explica tudo! E nós vamos bailando entre uma definição e outra e, de vez em quanto, algum poeta, algum artista ou algum movimento fala algo nunca dito (fala falante), rompe com o idealizado, para logo se tornar idealidade também...

Eu costumava pensar que me encontrava nos meus amores e amigos, mas, vou me dando conta de que justamente me perco, o que amo neles é o que não sou eu, eles não me devolvem uma imagem-reflexo, ao contrário, eu me construo a partir disso neles que eu não possuo, e por isso nunca chego a ser um 'eu', embora, crie para mim uma história e uma definição que me dão uma ilusão egóica de ser a dirigente de minhas ações... Assim eu declaro que sou feminista, mas não muito, que gosto de guarda-chuvas, bicicletas, sexo e mpb, tenho medos bobos, não sei mergulhar sem tapar o nariz e nem o que fazer no próximo semestre!


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

capoeira, singularidade e outros ais...

às vezes, quando a tarefa parece gigante, travamos por não crer que daremos conta. É nesta fase que meu trabalho se encontra. Minha atenção não quer obedecer aos meus comandos de concentração e viajo nos pensamentos mais variados... Já pensei várias vezes em transcrevê-los por aqui, mas algo me impede. Toda vez que elaboro um tema, o perco instantaneamente... Escreverei então sobre uma coisa que tem tomado conta de minha vida, a capoeira (de novo ela)!
Ela "toma conta" no sentido de ocupar espaços, de cuidar do meu corpo, de fatigá-lo até que a tristeza e angústia, companheiras freqüentes, resolvam ceder lugar ao axé, ao sorriso inevitável...
O que afinal tem ela de tão especial? Penso nisto sempre, mas de forma mais profunda desde o evento de batizado e troca de cordas do nosso grupo, o "Berimbau tá chamando". Quando fui informada de que pegaria a corda amarela quis protestar com o Gazinho, afinal, faz pouco que peguei a última (a verde-amarela) e não me sentia preparada. Não adiantou, ele disse que se tratava apenas de um comunicado... Não entendi, mas acatei... Ontem, contudo, depois do primeiro treino de corda nova, acho que compreendi: me veio a mente o conceito de "singularidade". Tem uma música que diz assim: "em cada toque, em cada som, em cada ginga, tem um estilo de jogo". Talvez pela primeira vez na vida, me encontro num lugar onde não nos movemos em função de um "ideal", isto é, de uma norma, de uma regra que se aplique de modo universal a todos os indivíduos, desconsiderando suas características próprias, sua história de vida (o que chamamos em filosofia de  facticidade). Quanta sabedoria não? E se eu não jogo "tão bem" e com tanta destreza quanto outros da mesma graduação ou não? E daí? E se eu não sei sambar quando começa um samba de roda? Não é isto que está em pauta! Aqui, eu posso entrar na roda com a alegria, não há vergonha, não há movimento perfeito. Ou poderíamos dizer que a perfeicão de um jogo de capoeira é "deformada". Aí reside sua liberdade nos tempos de hoje em que a escravidão não é mais aquela que acorrentava os negros, mas pode ser encontrada nos padrões (estéticos e tantos outros) que determinam nossas vidas, a capoeira entretanto, não se deixa aprisionar por eles! E tem tanto mais a ser dito sobre ela, mas finalizo imaginando como transpor esta sapiência para as outras esferas da minha vida...

Piscadinhas ;)

"capoeira é uma arte, é sim, capoeira é uma luta, é sim, capoeira é uma dança, é sim, capoeira foi feita para mim..."




"...escorregar não é cair, é o jeito que o corpo dá.."



"... a capoeira de origem africana, que chegou lá na Bahia, pequenina, engatinhando, foi crescendo, engordando, se tornando brasileira.." 


terça-feira, 22 de novembro de 2011

verdadeira: Maratona Cultural!

Fim de semana que vem vai rolar aqui na ilha a Maratona Cultural, a programação está super, mega, blaster intensa,(clique aqui para ver) tem muita coisa legal e eu estou doidinha sem saber para onde ir! Acho que no fim, dada a iminência da minha qualificação de doutorado (segunda-feira próxima) e outras demanas, vou ter que ficar em casa com meus filósofos, aff! Mas, quem estiver disponível deve aproveitar!


Florianópolis respira cultura durante 3 dias.

Florianópolis será o palco para 500 artistas durante os dias 25, 26 e 27 de novembro com a chegada da Maratona Cultural. Um evento inédito que valoriza a cultura e os artistas locais, além da participação de convidados de todo o País. Com muitas plataformas de manifestação artística, a Maratona Cultural reúne música, dança, circo, teatro, artes plásticas, cinema, mapping, literatura e muito mais. Serão 3 dias de programação para todas as tribos, idades, gostos e classes sociais, distribuída em diversos pontos da Ilha da Magia.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Berimbau tá chamando!


No mês que vem teremos na ilha o evento "Berimbau tá chamando", organizado pelo Instrutor Gazinho, meu querido mestre da Cordão de Ouro. No dia 06 haverá um workshop com o Mestre Cícero - CDO Campinas, (de quem sempre ouvi os melhores comentários, diga-se de passagem), no dia 09 outro com o Contra-mestre Gaiola e no dia 10 o esperado batizado e troca de cordas. Tudo isso na Associação de Moradores do Porto da Lagoa (AMPOLA). Certarmente serão dias de muito axé e aprendizado, aguardo ansiosa e estendo o convite mesmo para não capoeiristas. A participação em cada dia custa R$20,00 e para quem tiver ânimo de participar dos três, ganha um descontinho e paga R$50,00 no pacote! Eu aconselho, mas advirto: capoeira vicia (e faz bem para saúde)!


Enquanto os dias não chegam, vamos nos preparando com a presença inédita em Floripa do Mestre Brasília (um dos fundadores do Grupo Cordão de Ouro junto com o mestre Suassuna) que virá ministrar uma oficina, iniciando as atividades do "III Festival de Primavera" organizado pelo Contra-Mestre Habibis, também aqui da ilha. Depois da oficina a festa Tambores da Lua promete fechar a noite com muita alegria!





piscadelas com axé ;) !

sobre muitas coisas!

o velho lago municipal de Toledo...

fui e voltei, viagem a terra dos pinheiros, lugar onde nasci, cresci e d'onde parti. é estranho voltar... mas, é bom. reencontrei e me encontrei, me vi nos olhares da infância perdida e da adolescência sonhadora. tenho pensado em muitas coisas desde então, sobre a importância dos amigos, que nos mostram quem somos, quando nos esquecemos ou nos perdemos, sobre a solidão do gozo, sobre decepções e decepcionar, sobre a partilha das gargalhadas, das aflições e dos medos, sobre a dificuldade em se concluir uma tese, sobre fazer planos, sobre saudade orgânica... enfim, tudo meio assim,
... e seus novos personagens...
desordenado mesmo, pois é deste modo que as coisas se configuram nas minhas pensações atualmente.
recentemente reencontrei um poema batido sobre a amizade, mas tão eu, na minha prosmícuidade de relações sociais, que vou compartilhá-lo aqui. desnecessário dizer, que apesar de toda confusão, me sinto "blessed and locky" como na música do 10.000 maníacs e que contra o dito popular de que os amigos se podem contar com os dedos de uma mão, felizmente os meus ultrapassam os das duas, o que faz da minha personalidade um mosaico dos mais diferentes tipos que se possa imaginar! adoro esta flexibilidade, essa capacidade de adaptação, ela me faz mais forte, não mais fraca como poderia parecer, afinal me adapto as situações diversas e posso contar com os distintos apoios e sê-lo quando necessário for, assim espero...
enfim, tanto, mas não muito, é o que temos por hoje!
piscadinhas ;)

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto
e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos
e o quanto minha vida depende de suas existências ...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade,
não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não tem noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital,
porque eles fazem parte do mundo que eu,
tremulamente, construí,
e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.

E me envergonho, porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome e me envelhece
é que a roda furiosa da vida
não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo comigo,
todos os meus amigos, e, principalmente,
os que só desconfiam
- ou talvez nunca vão saber -
que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.
Vinicius de Moraes

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Arte em movimento!

Não é só aqui na ilha que tenho encontrado programas interessantes. Semana que vem vou visitar o velho oeste, para rever a família, os amigos e também participar do XVI Simpósio de Filosofia Moderna e Contemporânea e não é que descobri uma empreitada muito legal da galera de Toledo! Trata-se da primeira "Tarde cultural ARTE em movimento" que se realizará no campus da Unioeste de Toledo.

 Nem preciso dizer que caí de amores pela oficina de percurssão não é? Então, farei o máximo para participar e apoiar esta iniciativa! Depois conto como foi!

Piscadinhas :)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

festa do "sétimo dia"

Neste sábado alguns amigos aqui da maison tiveram a feliz ideia de fazer uma festa para homenagear Amy. Eu devo confessar que não conhecia muito seu trabalho. A mídia nos sufoca tanto com informações que nunca prestei atenção nela a confundindo com Ladys Gagas, Britney Spears e por aí vai... Entretanto, sua morte e as instantâneas reações de tantos amigos me deixaram curiosa. Descobri então que, de fato, sua música é da melhor qualidade, mas, como dizia minha vó: tarde piaste! Agora só me resta apreciar o que ela deixou...

Conheci um pouco da sua história, quase nada é verdade, mas ela me fez pensar no quanto algumas pessoas carregam dores tão profundas, tão pesadas, verdadeiros fardos. Tenho a impressão que pessoas assim não têm controle nenhum sobre seu "carma", talvez ninguém tenha, contudo, em geral, a maioria se ajusta as normas. Aqueles que não se adequam parecem viver num tempo diferente, num outro ritmo. A vida parece pequena, o mundo sufocar... Talvez não por acaso, artistas de muito intensidade são, geralmente, acometidos deste "mal"... Não quero aqui teorizar sobre a genialidade, trata-se mais uma coleção de impressões já antigas sobre o tema. Um exemplo disto para mim é Paulo Leminski, não morreu tão jovem, mas também "se acabou", bebeu toda sua sede de não se sabe bem o que, terminou com cirrose e outros ais... Sua poesia, seus livros, até suas biografias, tudo é impetuoso. Confesso que quando vejo seus vídeos no YouTube penso comigo: eu não gostaria de conhecer este cara. Ele era arrogante, devia ser chato. Acho que ele me irritaria. Mesmo assim, quando olho para sua biografia, me parece claro: faz parte da sua obra! Elas se confundem, talvez a algumas pessoas seja dado viver artisticamente...Divagações...


Voltando à festa e a Amy, assim como sua personalidade causava controvérsia, sua morte não ficou para trás e dispararam os comentários carregados de juízos de valor com os quais nem valeria a pena gastar estas linhas... Ocorre porém, que também a idéia da nossa festa causou certo desconforto e sofreu ameaças de retalhação. Houve até, como os meninos disseram, uma tentativa de aplicar-se um AI-5! Resistimos a ele e sobrevivemos. Literalmente, pois a festa foi uma verdadeira maratona, todo mundo, todas as Amys e até mesmo a Sandy competiram para ver quem seria o último ente a parar de dançar. Dançamos, dançamos! Dancei muito, dancei toda minha crise, acordei no outro dia sem quase conseguir mexer o pescoço. Foi a melhor festa de sétimo dia que já fui!

Por falar em crise, agora é oficial: mês que vem eu volto! Tenho que fazer as malas, comprar souvenirs, tenho que escrever, tenho que viver, tenho que resolver meus incontáveis conflitos internos, tudo isso para arrumar outras tantas mudanças, partidas e conflitos!! Acho que vou explodir!! No meio deste turbilhão, agora pouco, peguei uma vélib e fui assistir ao concerto da minha "nova moda" Lail Arad, gratuito no "quartier d'éte" (mais um perfil da infinita infinita Paris), não conhecia a moça, mas já fiquei fã. Em momentos de crise a pergunta que ela se faz na música "Who Am I" é marcante!

Piscadelas frenéticas de uma dramática!


No começo...

Amys recebendo visitas

"Amylie psicodélica"

"Amys contra o AI-5"
Go Amys!!
"You are my ..." rsrsrs


Amys e Sandy para lá de não sei onde..

Reconhecendo o território...

Amy "mor" e seus fãs!

Amy mor

Amylie em fim de festa!

Keep on dancing!

Amys e Femme!!!

Sandy no meio das Amys


Sandy devassa!

Blonde Amy never stops until pt!


 Fim de festa!