segunda-feira, 20 de setembro de 2010

tú não te moves de ti...

não quero falar hoje sobre o livro de hilda hist que (ainda) não li... em verdade, esta frase da qual mal sabia a origem me veio a mente quando comecei a estabelecer minhas pequenas rotinas por aqui. acho que inconscientemente criamos a ilusão de que grandes mudanças físicas possam ser responsáveis por mundanças interiores também. ora, embora as impressões em nós causadas pelo 'espaço cultural-antropológico' em que nos situamos seja fonte de profundas alterações em nossas percepções, creio que nos carregamos onde quer que estejamos e as mudanças de idiossincrasias não são tão grandes quanto as geográficas (por não dependerem tão somente delas...). bien...

- eu continuo tomando café com leite e comendo pão pela manhã e ficando mau-humorada quando não consigo;

- a mesma impaciência com compras, supermercado e ficar muito tempo fora de casa, o que é bizarro visto que não me sinto em casa ainda!;

- as conversas alheias - de estranhos ok? - ainda chamam
minha atenção, por mais que tenha dificuldade
em entendê-las, minha imaginação voa loonngee:



- mantenho o medo de perder o ponto (neste caso estação) em que devo descer (por mais fácil que seja), de escolher algo diferente no cardápio do "restô" (ru daqui) ou uma marca diferente de queijo, comummente me arrependo quando o faço;

- eu nunca sei que roupa vestir;

- e outras coisinhas mais...

enfim, é com esta mesma velha carcaça que eu aprecio e conjecturo sobre minhas impressões por aqui.

até agora fiz 2 passeios turísticos clássicos:
torre eiffel, jardim de versailles.
destas minhas poucas andanças posso dizer que tudo aqui tem uma proporção enorme e eu nem estou falando destes lugares mencionados, falo das construções ordinárias mesmo. talvez para alguém oriundo das grandes metrópoles brasileiras a impressão seja diferente, mas eu já fico perplexa quando me encontro na av. paulista!


lembro-me ainda da primeira vez que fui à são paulo, participar de um evento, na época da graduação: eu fui com muito medo, desde o mais bobo, de me perder mesmo até o de ser assaltada, e quando entrei na usp então?! mon dieu, que lugar! só lá havia mais prédios que na cidade toledo. de lá para cá, o medo passou, mas o espantamento não.
ontem tive meu primeiro encontro com meu co-diretor de tese, ele sempre muito cordial me apresentou a paris I. nem preciso dizer como fiquei encantada... além do tamanho da construção - é evidente - me admira me envolver no cotidiano desta instituição secular.
me identifico um pouco com as descrições do personagem do "em busca do tempo perdido" de proust, no terceiro livro "o caminho de guermantes", cuja leitura retomo enésima vez. quando ele começa a frequentar o círculo da duquesa de guermantes, com quem sonhara desde criança, se põe a duvidar que as pessoas e pertences mais corriqueiros da duquesa se cruzem minimamente com os seus e a ideia que dela fazia começa a mudar, visto que o que parecia impossível se torna iminente.
bem, óbvio que na minha infância feliz em cascavel, jamais sonhei em estudar na sorbonne, eu nem sabia o que era isto, esta hipótese se abriu bem mais tarde, mas sem deixar de perfazer um destino tão distante que agora parece que estou vivendo outra coisa, pálida imagem de minhas expectativas. d'onde cheguei a seguinte formulação ontem, conversando com fabinha: tudo está estranhamente normal! bem, mas se eu me trouxe na bagagem, o que poderia esperar?

continuo com saudades, mas também isto sempre me pertenceu...

piscadinhas ;)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

mes premiers achats à Paris

bonsoir ;)
queria dividir com vocês um pouquinho das 'minhas primeiras compras em Paris'. falo dos artigos de primeira necessidade, obviamente! voilá:

bem, desnecessário dizer que enquanto baudelaire e racine esperam
tempo livre para serem devorados, o bordeaux 'les hautes de
fontarabie' 2005 já não existe mais, felizmente, há muitos irmãozinhos
no lugar de onde veio este!








o paris utile! é para borboletas perdidas
conseguirem achar o caminho de casa, trés important!








além de compras básicas, muitas caminhadas e conversas globalizadas, tenho ouvido bastante os dicos da nouvelle vague, acho que o suficiente para afirmar que este som será a trilha sonora oficial de minha chegada por aqui. é bem gostosinho, recomendo! o tempo continua lindo, hoje choveu um pouquinho, só o tanto necessário para um arco-íris (o diacho, como diz meu amor citando alguém, é que eles não fazem hora-extra!)

saudades não passa nunca!

piscelas ;)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Cité internationale Universitaire de Paris

voilá um post mais 'informativo' sobre o lugar onde moro atualmente:
A Cidade universitária Internacional de Paris - CiuP é uma fundação que reúne vários serviços de acolhida aos estudantes estrangeiros em Paris, ela conta com 18 "résidences" e 22 outras "Maisons".

... ainda não estou tão ambientada a vida por aqui, nem sei se ficarei muito tempo, contudo, é certamente um lugar peculiar! atualmente estou na maison du brésil, mas, fui indicada para fazer parte da bréssage (intercâmbio) e, a partir do mês que ver, serei residente da "Résidence André de Gouveia", ou, maison du portugal...


no meu primeiro dia de cozinheira, na cozinha coletiva da casa do brasil. menu: cuzcuz marroquino, delicia muito comum por aqui

hall de entrada da maison du brésil



















mas, só chegamos lá depois de passar por eles:


pavillon du cambodge




















casa da suécia
maison d'italie









maison du japon




e RAG, minha futura residência, onde logo terei entrada VIP (pois, parece ou não uma boate? precisam ver a noite...)



tem mais coisinhas, mas eu fiquei com preguiça agora e já é bem tarde aqui...

donc,

piscadinhas ;)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

batendo asas em Paris

... hoje faz exatemente uma semana que saí da ilha, acho que precisava de uma emoção muito forte para começar a escrever (mais isto é tópico para um outro post), desde que cheguei várias sensações passaram por mim e creio que elas já foram modificadas indefinidamente, mas talvez seja interessante apresentá-las trabalhadas pelo tempo...

desde o embarque tudo não parecia passar um fim de semana fora, acho que esperei e lutei tanto por isto, que quando chegou a hora estava anestesiada e assim permaneci até ontem. o bom disso é que fui curtindo cada coisinha nova com muita calma, bem voilá minhas impressões até o momento:

- tudo é lindo (até agora), como disse uma amiga: é um museu a céu aberto!
- me emocionei ao passar por montmartre, era como se pudesse ouvir a trilha sonora do yann tiersen para o amélie: certamente será um destino cativo;
- os franceses são na sua maioria simpáticos, até agora poucos não foram gentis comigo, fui até parada por uma senhora fofinha que me ofereceu informação! já me disseram que eu tive sorte e, por ora, vou contar com ela;
- tenho bons motivos para isto, quando cheguei, fui convidada para o almoço por minha nova vizinha, a letícia ("super"), teve festa na maison e havia uma promoção do banco em que abri conta: os estudantes ganhavam 50 euros!
- o convívio com os brasileiros aqui na maison du brésil (minha morada até o fim do mês) tem o seu lado muito bom: todo mundo aqui é muito solícito mes-mo! mas, não quero me tornar dependente deste apoio, quero enfrentar o cotidiano de um novo mundo e aprender com minhas trapalhadas (que serão muitas);
- tem muito brasileiro em paris, não teve um só dia em que saí por aí, sem ouvir o som familiar do nosso português;
- já me perguntaram várias vezes se eu era italiana, ao que parece, o sotaque dá está impressão e ele seria agradável, mas teve uma moça que perguntou a mim e a uma colega se falávamos turco?!
- adoro ouvir criancinhas conversando pelas ruas!
- tem feito dias lindos e escurece bem tarde, estamos em horário de verão;
- todo dia sinto muita saudades do felipe, de apertar o coração, e também de vocês...

é o que me vem na ponta dos dedos por enquanto, quando mais impressões quiserem sair, as derramarei novamente!

seguem algumas fotos!

piscadelas saudentas,

Elizia

Cité internationale universitaire de Paris











Maison Internationale










um dos caminhos dentro da cité




Maison du Brésil











no dia em que cheguei, houve uma festa em comemoração aos cinqüenta anos de brasília, esta é uma das fotos que consegui tirar da projeção que fizeram no prédio da maison como homenagem...


lá se vão dois brasilieros:



e dois policiais de bicicleta: