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terça-feira, 17 de setembro de 2013

remédio para desenganos...

como diz a paula toller, "sempre haverá uma canção que fale tudo de mim...", um poema que traduza o que, por vezes, cala, quando já não podemos expressar em palavras o aperto no peito, a dor de um amor impossível, a saudade do que ainda nem foi... curioso, tudo isso é tão clichê, tão comum, tão humano, que certamente, a cada vez que o nó aperta somos capazes de encontrar sua expressão em infindas músicas e poemas e ainda assim, não conseguimos dizer o que nos corta a fala e o falo... eu fico com  as modas "como remédio pros meus desenganos"... 
aliás, desengano, palavra curiosa, é um engano que esqueceu de se realizar enquanto tal, que pensou que não fosse o que efetivamente é.... para desenganos não se quer remédio, melhor seria se fosse engano e assim permanecesse até se tornar não-engano, mas quando o tratamento é necessário devo dizer "que ninguém pode dizer que me viu triste a chorar [mentira! - do samba do grande amor]" afinal "saudade, meu remédio a cantar..."

segunda-feira, 20 de maio de 2013

aquela de quem se fala...

eu não sei quanto as outras pessoas, mas eu, por vezes, quase todas, tenho como critério para minhas ações e relações algo mais ou menos assim: eu gostaria de ser e agir tal como aquela pessoa de quem eu mesma falaria bem e elogiaria... vamos ver se consigo tornar isso claro, afinal tem, como sempre, tudo a ver com o outro, tema que me é tão caro!

nós costumamos admirar pessoas e seus feitos, por isso elogiamos suas posturas diante de determinados fatos, nesses casos, elas são "aquelas de quem falamos" e falamos bem... em contrapartida, tem aquelas que agem de maneira que não consideramos legal, essa são aquelas de quem falamos também, porém, falamos mal.

é por isso que o modo como julgamos o outro diz muito mais sobre nós do que sobre ele... diz sobre nossos ideais de 'ser' e 'não-ser', sobre como julgamos a nós mesmos também...

entre ser efetivamente aquela/e que fala e idealmente aquela/e de quem se fala há um espaço de angústia, de ansiedade que pode causar sofrimento... difícil lidar com isso, porém fundamental para terapia...

por muitas vezes sou acusada de cair em contradição (quem nunca?), aquela velha de se dizer uma coisa e fazer outra... assumo essa pecha, não por falta de compromisso com certas coisas que digo (aquelas pelas quais sou ré e que, portanto, devem ser importantes quando o sujeito que fala é outro...), mas por que por vezes o hiato entre eu efetivo e eu ideal é muito grande para transpor...

e quanta confusão também entre aquelxs de quem falamos e aquelxs que convivemos?! ah, isso é assunto para um outro post, um outro nó nas nossas gargantas... esse post na verdade, era só para detectar um problema constitutivo mesmo... seja lá onde isso possa nos levar (eu e minhas demais acepções de mim...)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O rolo da loucura

A loucura é como um rolo de barbante que nos é dado quando nascemos. Algumas pessoas aprendem a tricotar, crochetear e a tramar esse fio e acabam fazendo com ele artesanatos... Outras nunca aprendem, e quanto mais soltam o fio, mais ele se se emaranha todo e se enche de "nós", nós na garganta, nós pronome pessoal dos outros que acabam enovelados nessa falta de sabedoria. Um nó gordiano que só mesmo cortando com a espada de Alexandre para desatar...

domingo, 20 de maio de 2012

e quando a gente se pega no sintoma?

diretor, vamos mudar meu papel? acho que já esgotei esse, tá na hora do rodizio, não?
minha filha, leia leminski, é tão absurdo que faz sentido e continue sendo autuada em flagrante, te entrega vai...

trechos de "agora é que são elas":

"Para melhor, para pior, pouco importa, essas palavras, bem e mal, já não faziam diferença, não tinham mais nada a fazer naquele jogo, entende? Eu vivia uma circunstância absoluta, podia sentir os sintomas. Bem que meu analista tinha me prevenido.Mas eu lá tenho cara de quem vai atrás do papo de um judeuzinho da Europa Central, óculos na ponta do nariz, a cabeça cheia de teorias e esquemas, caverna atravessada de teias de aranha, por onde voam vocês, morcegos milenares? A gente arrasta o rabo do dia-a-dia, os dias na esperança de um só dia, um momento máximo, o campeonato nacional, a decisão, a final. Esta era a final.
Daqui para diante, só as florestas, os desertos, os pantanais e os céus da sabedoria.

Mas foi triste que varei a sala, me debatendo entre as ondas de com licença e desculpe, perdão e tenha a bondade, até a mesa do ponche. Jamais vou poder dizer se a tristeza, que me encheu como o vinho enche um copo, vinha da ausência de Norma ou de constatar amargurado, e me resignar com a evidência gritante de que aquilo fosse o que era, a queda do império, a passagem do cometa Halley, o primeiro lugar na lista dos sucessos, uma bobagem dessas qualquer. Já era ciúme o que eu sentia com a desaparição de Norma? E o que fazer com a lição do professor Propp, mo não existe?

Medo. Medo, sim. Quando senti medo, quase pude tocar com as mãos suas imensas distâncias, abismos intransponíveis, silêncios insuportáveis, tudo aquilo que a gente sente diante do tigre, tudo aquilo que sobe e desce na espinha quando você pergunta: — É grave, doutor? 

O doutor Wiesengrund achava que quem sabe. E acreditava sinceramente que isso tudo tinha cura. Era da velha escola. Um pouco de ar puro, farta alimentação, muita abstinência de lipídios,e uma buceta de vez em quando. Para as senhoras, caralhos, evidentemente. Um pinheirinho de Natal, coruscante esmeraldas e rubis, ao seu lado, a senhora Wiesengrund fazia que sim com a cabeça, a cada palavra que o eminente  pentelho regurgitava. A cada minuto que passava, mais aumentava meu medo, e eu ficava cada vez mais feliz de poder gritar “terra à vista”, diante daquele rato que me roía as entranhas, pólo ártico na boca do estômago, meu velho e querido amigo, enfim, um amigo, meu verdadeiro amigo, o pavor. A gente se conhecia desde a infância, o medo cresceu comigo. Quando eu era garoto, meu medo principal era que a casa do meu pai desabasse. Mas era apenas o centro do terror. Deste centro se irradiavam miríades de medos, aquelas coisas que, como uma picada de frio na minha barriga, me enchiam a vida de vibração e significado, os mínimos medos que cintilavam em volta,e se estendiam até os inumeráveis horizontes do desconhecido. De repente, fiquei apavorado A partir desse momento, não senti mais NADA. Estava na companhia de algo maior, muito maior, infinitamente maior que qualquer medo. TUDO tinha mudado"

quarta-feira, 16 de março de 2011

frustração

"Rubrica: psicanálise.
estado de um indivíduo quando impedido por outrem ou por si mesmo de atingir a satisfação de uma exigência pulsional"
em qualquer lugar do mundo, tem dias em que este sentimento nos sufoca! quando 'outrem' é uma mélange com o 'si mesmo' então...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

a paris que eu não vejo, a saudade que sinto...

uma culpa ambulante como eu, não deixaria de se sentir assim, mesmo em paris, ou melhor, principalmente em paris!! me sinto culpada por passear por aí, afinal há muito trabalho a ser feito, me sinto culpada por não passear, afinal, estou em paris!!! já perdi muitos programas interessantes na tentativa ainda frustrada de fazer minha tese nascer! e eis que lendo proust achei a descrição mais-que-perfeita do que vive um doutorando, voilá:

"se ao menos eu pudesse começar a escrever! mas quaisquer que fossem as condições em que abordasse esse projeto (tal como, ai de mim, o de não mais beber, deitar cedo, dormir, passar bem de saúde), com arrebatamento, com método, com prazer, privando-me de um passeio, adiando-o e reservando-o como uma recompensa, aproveitando uma hora de boa saúde, utilizando a inação forçada de um dia de doença, o que acabava sempre de sair de meus esforços era uma página em branco, virgem de qualquer escrita, inelutável como essa carta obrigatória que em certos lances a gente acaba fatalmente por tirar, de qualquer maneira que se tenha previamente baralhado as cartas. Eu não era mais que o instrumento de hábitos de não trabalhar, de não deitar, de não dormir que deviam realizar-se de qualquer forma a todo custo; se eu não lhes resistia, se me contentanva com o pretexto que tiravam da primeira circustância que lhes proporcionava aquele dia para os deixar agir à vontade, eu saía da situação sem maiores danos, não deixava de repousar algumas horas no final da noite, lia um pouco, não prativava muitos excessos, mas se queria contrariá-los, se pretendia ir cedo para a cama, beber apenas água, eles irritavam-se, socorriam-se dos meios heróicos, tornavam-me inteiramente enfermo, via-me obrigado a duplicar a dose de álcool, não me metia na cama durante dois dias, não podia mais ler, e prometia comigo ser mais razoável para outra vez, isto é, menos sensasto, como uma vítima que se deixa roubar por medo de ser assassinada se resistir" (PROUST, M. o caminho de guermantes. in: em busca do tempo perdido. V3)

de todo modo, não tenho feito muitos passeios e talvez por isto não tenho estado inspirada para escrever no blog. os dias estão frios e meu corpo dá sinais de sucumbir a tensão da tese: enxaquecas, gripe, tosse, etc. agravados por uma saudade nova do calor, do sol, da praia, dos amigos e abraços conhecidos do brasil. também tem o fato de que, tão cedo, começo a me despedir desta vida, há alguns dias uma amiga da maison retornou e daqui a pouco vou a mais umfamoso 'queijos e vinhos' para a despedida de outra que se vai. não há tempo de se familiarizar. preciso então é me habituar com a ideia do estar sem lugar e tirar disto algum proveito!!

enfim, nada de mais, vou combater estes sintomas exercitando meu corpo na capoeira e aproveitando as belezuras daqui! já temos um passeio marcado para domingo próximo (primeiro do mês e gratuito): vamos conhecer o imponente chateau de versailles, eu já estive lá, mas apenas nos jardins e no domínio de maria antonieta. não sei se vou gostar, mas sei que vou me impressionar e aí me restará passar por aqui para dividir minhas impressões! quem sabe com isto, meu trabalho não resolva fluir?! j'éspere....

piscadinhs ;) et bisous

p.s.: aos meus 'compatriotas' de cascavel désolée em informar que não só cascavel, mas paris também tem um DEDÃO, muito maior inclusive que o nosso!! resta saber qual veio primeiro...