domingo, 18 de agosto de 2013

"a palavra não sabe o que diz..."

adoro esse texto da viviane mosé!

realmente a gente caí de si mesmo quando percebe que nossa palavra não sabe o que diz, quando não há mais acordo entre os ouvintes....
que porra! você tem um mundo lindo e colorido esquematizado na sua fala e o outro simplesmente não entende!
esse texto me remete a uma outra discussão prático-filosófica, a do famigerado maniqueísmo entre os assim chamados campos "real" e "ideal". porque não tem nada mais humano do que vestir o concreto com o simbólico!
entre o conceito e o concreto, costumamos pensar que o conceito, a idealização é utópica e que, como tal, não pode ser vivida. que o amor, o desejo, o outro que idealizamos são apenas motivos de frustração... mas, eu discordo, se a palavra se suja com o uso, é porque um dia foi limpa. quer dizer,  é pelo ideal que a usamos para vestir o concreto que sem ela é nu, sem sentido, nada... não há concreto sem simbólico!
é como dizia o bom e velho leminski: 

essa ideia 
ninguém me tira 
matéria é mentira

e como ele, também eu "me recuso a viver num mundo sem sentido"! é só seguir a receita e lavar a palavra suja, uma hora ela reencontra seu vigor e veste, com a última moda, o concreto que a espera!

http://vimeo.com/79616935

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

prece com sotaque


"Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa." Ariano Suassuna


hoje eu conheci um santo vivo, um santo brasileiro, um santo nordestino. não foi só porque ele citava a bíblia e os sermões de padre antônio vieira, nem tampouco por sua profissão de fé escancarada em cristo. nessa que foi a missa mais emocionante de que eu participei até hoje, eu conheci um santo em luta por uma causa. eu me senti intimamente exortada, tocada, tive minha fé despertada. sua causa: o brasil, os brasileiros, nossa língua e nossa cultura. ah, ouvir esse dom quixote arcaico, montado em seu gregório, falando de preguiça, de mentira, da sonoridade do português, de amor, suas armas em sua cruzada pessoal. lutando para que paremos de dar osso a quem precisa de filé. os risos na manhã de hoje foram fáceis, gargalhadas, mas a reflexão é dura, é intensa e lenta... a tarde exige a boa preguiça. pois a aula foi espetáculo daquele em que se entra sem sair, porque não se é mais a mesma ao final...