Desde que minha querida "personal-amiga" Miriam me pôs para correr, há um tempo atrás, me encantei pela prática, às vezes até dói, depende muito do estado do corpo, mas a sensação depois é sempre de um cansaço gostoso que nos põe para dormir relaxados.
Para além dos benefícios fisiológicos, entrentanto, que podem ser explicados pela produção de não sei bem quais substâncias (endorfina, morfina, ou que quer seja...), a corrida para mim tem um "quê" a mais. Hoje me dei conta de que é uma forma peculiar de me relacionar com a cidade, com meu bairro, com o meu entorno enfim. Sair para correr é sair para lugar nenhum e, embora eu sempre faça um percurso parecido, ele é sem intenção, basta ir e voltar e sigo, curtindo a paisagem, reparando nos transeuntes, nos cachorros, nos carros... Com minha seleção de músicas que vai de Marie Tout Court à Martinalia, de Belchior à The Cure, passando por Guinsbourg, Lail Arad, Cartola e etc e tal, eu me entrego ao caminho, aprendo a gostar das peculiaridades dele, acabo me apaixonando. Meu trecho ultimamente tem sido a Beira-Mar de São José, hoje particularmente estava muito agradável, o calor do verão suavizado com a brisa do mar, as pessoas felizes, famílias fazendo as compras para o Natal! Até sentir meu joelho reclamando, estava entregue ao ritmo da marcha e me lembrei do poema do Leminski, com o qual me despeço...

Andar e pensar um pouco,
que só sei pensar andando.
Três passos, e minhas pernas
já estão pensando.
Aonde vão dar esses passos?
Acima, abaixo?
Além? Ou acaso
se desfazem no vento
sem deixar nenhum traço?
(Paulo Leminski, La vie en close)
Piscadinhas :)









