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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Não é sobre sexo, é sobre violência!

Quando alguém sofre uma agressão de qualquer tipo, quem é o responsável? A resposta parece
óbvia: o agressor! Nem sempre é assim que as coisas funcionam no caso de violência contra a mulher. Embora seja garantido a ela o direito de denúncia e proteção, na prática o que costuma acontecer é que a vítima é julgada como sendo responsável de alguma maneira pela violência. Violência não é só violência física, é também psicológica, simbólica e patrimonial. Quando uma mulher é obrigada a escutar comentários de péssimo gosto, que tem relação com seu corpo e a forma como ela está vestida, isso também é violência. Quando se trata de abuso sexual, é comum ouvirmos que “a mulher facilitou”, andou em lugares perigosos, vestiu-se de maneira inapropriada, ou até mesmo “não se deu ao respeito”. Esse tipo de atitude acaba por impedir a mulher de procurar ajuda, afinal, ela mesma pode se sentir culpada uma vez que vive numa sociedade que mantém pensamentos como esse. Lugar de mulher é em qualquer lugar, em qualquer horário e com a roupa que ela quiser! A marcha das vadias é um movimento de abrangência mundial que visa eliminar, ou ao menos questionar essa lógica machista e bastante perigosa. Ora, se um homem é vítima de agressão, ninguém o responsabiliza de forma alguma e nem deveria. O que nosso movimento quer defender é que uma mulher também deve poder ser livre para se vestir e se comportar como bem entender, tendo total autonomia sobre o seu corpo e que nada nem ninguém pode nele intervir sem sua autorização. Por fim, trata-se de uma marcha pela liberdade e igualdade de gêneros, de um movimento feminista. E feminismo é a idéia radical de que mulher também é gente!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Marcha das Vadias

Sobre a marcha: A Marcha Nacional Das Vadias é um movimento pelo fim da violência de gênero e da culpabilização das vítimas de violência sexual. Em 2012, acontecerá no dia 26 de maio, em todo o Brasil.
A idéia é que organizemos a marcha em Floripa no mesmo dia da nacional e para isso precisamos de todas as feministas/vadias/interessadas para organizar e pensar nossa marcha.

Nos reuniremos inicialmente na terça dia 3/4 no hall do CFH, às 17h40m, para nos conhecermos e definirmos alguns encaminhamentos!

Nos vemos lá! Porque se ser livre é ser vadia, somos todas vadias!!

(texto explicativo da Anamaria Marcon Verson)


sexta-feira, 16 de março de 2012

o outro, eu e os velhos enredos...

Há tempos escrevi um post sobre lugares-comuns... Contaminada que estou pela minha própria vida e pela minha própria tese, tenho pensado muito nos enredos comuns. Quer dizer, se existem certas frases que sempre cabem para certos momentos, isso significa que as histórias se repetem. Arrisco a dizer que há um número que pode até ser grande, mas limitado, de enredos para atuarmos na vida. Atuarmos, humpf! Me parece mesmo que é só o que nos resta, quando muito poderíamos escolher em que papel jogaríamos, mas, mesmo quanto a isso ainda tenho minhas dúvidas. Quem é que os escreve afinal? E quem é que dirige essa peça? A acadêmica que mora em mim tem uma resposta pronta: o outro! Que outro?? Aquele que não sou eu, que não é ninguém e que decidiu que as pessoas se apaixonam e sofrem e se apaixonam e sofrem de novo, que são filhos e pais, irmãos, melhores amigos, inimigos declarados, preguiçosos ou brasileiros que não desistem nunca! Aí quando vem o adolescente desabafar seus problemas com os pais, nós podemos dizer: calma, isso é uma fase, logo você vai ver que eles têm razão! É a mesma história que se repete, por isso temos uma fala pronta (a fala falada para os iniciados em Merleau-Ponty), e aí "eu" posso me justificar, afinal, embora seja de escorpião, tenho ascendente e vários astros em virgem, isso explica tudo! E nós vamos bailando entre uma definição e outra e, de vez em quanto, algum poeta, algum artista ou algum movimento fala algo nunca dito (fala falante), rompe com o idealizado, para logo se tornar idealidade também...

Eu costumava pensar que me encontrava nos meus amores e amigos, mas, vou me dando conta de que justamente me perco, o que amo neles é o que não sou eu, eles não me devolvem uma imagem-reflexo, ao contrário, eu me construo a partir disso neles que eu não possuo, e por isso nunca chego a ser um 'eu', embora, crie para mim uma história e uma definição que me dão uma ilusão egóica de ser a dirigente de minhas ações... Assim eu declaro que sou feminista, mas não muito, que gosto de guarda-chuvas, bicicletas, sexo e mpb, tenho medos bobos, não sei mergulhar sem tapar o nariz e nem o que fazer no próximo semestre!


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

feminismos e feminis(moi)

Depois de assistir à péssima montagem de "A sociedade" de Virgínia Wolf, tomei fôlego para começar rabiscar este post que já devo faz algum tempo. Não vou aqui comentar, ao menos não agora, porque a montagem foi terrível, tenho a impressão que este será um longo assunto e não quero desperdiçar a atenção de quem me lê...

Já faz algum tempo que, depois de compartilhar um link no facebook, entrei em polêmica com uma amiga e prometi à ela elaborar melhor minhas impressões acerca do tema. Bem, primeiramente, porque eu me considero e não me considero feminista? A razão para não me considerar é simples, há uma discussão científica muita profunda e complexa no que tange a questões de gênero e aos problemas relativos ao feminismo que eu simplesmente desconheço, acho muito sério, respeito e por isto mesmo não levanto a bandeira de argumentos que me escapam. Se, entretanto, tomarmos pelo conceito "feminismo", tal como vulgarmente apreendemos, a defesa da igualde de direitos (e obrigações) para os diferentes gêneros, a luta pela "desmarginalização" da mulher sexualmente ativa ou impositiva, então, posso dizer que eu sempre fui feminista. Desde que me dei conta dos julgamentos morais que distinguiam o que pode ou não fazer a mulher daquilo que é concedido (e mesmo incentivado) ao homem. (Por isto o título "...feminis(moi), o meu feminismo, ou o feminsmo tal como eu o acolho)

Veja bem, eu acredito que haja diferença de gêneros, até concedo que há um modo de ser que pode ser atribuído ao "feminino" e outro ao "masculino", no entanto, não vinculo tais distinções ao sexo da pessoa, entende? Quer dizer, um homem pode ser feminino e vice-versa (eu mesma já fui acusada de ser o homem de algumas relações rsrs), sem que isso indique opção sexual, o que já é uma outra discussão.

Apesar desta tendência, nunca me inseri em debates acadêmicos nessa área, porém, sempre curiosa, dispendo algum tempo lendo sobre na internet. Incomodava-me o o machismo, mas, nunca pensei nisto com um problema grave, o levava como uma questão cultural que mulheres inteligentes e independentes poderiam simplesmente ignorar. Bastava nos associarmos a homens e mulheres sem preconceito e nos afastarmos dos machistas. Algo diferente, acreditava eu, do que acontece com o preconceito racial e com a homofobia, que são motivos de ameças, exclusão e até mesmo assassinatos. Recentemente descobri o blog da Lola que traz algumas postagens interessantes sobre o assunto e graças a uma delas me dei conta de uma coisa: o problema aqui é tão grave quanto! Os acontecimentos recentes, tais como o da discussão que mobilizou as redes sociais acerca do caso de estupro do BBB e a sucessão de ataques contra mulheres que fez as estudantes da Unicamp darem início aos protestos da "marcha das vadias" contribuíram para minha mudança de pensamento em relação a esta discussão. O que me chamou a atenção foi o modo como tais eventos foram interpretados, a mania de imputação de responsabilidade à mulher pela violência sofrida me fez rever meus conceitos. Ora, o machismo é sim uma coisa cultural, mas a cultura é historicamente datada e sofre mudanças, logo, vale fazer pressão nos debates para contribuir com uma se acreditamos na sua pertinência.

Por isto mesmo, me animei a escrever esta prometida postagem refletindo acerca do polêmico post: "Mulher que dá na primeira noite... essa é para casar" do blog "papo de homem". Quando eu partilhei este link no face, confesso que não refleti demais acerca do texto de autor anônimo e mesmo reconhecendo ali alguns problemas (a última parte é lamentável), achei interessante que um homem pensasse sem preconceito acerca da autonomia sexual feminina e que, dentro das suas próprias limitações, aceitasse e mesmo até desejasse casar-se com uma mulher que age livremente a despeito dos preconceitos que ainda existem neste campo. Claro, não dá para ignorar que este cara ainda faz a classificação ridícula entre quem é e quem não é para casar! Ok, talvez ele nem tenha se dado conta de que, justamente a mulher que "dá" na primeira noite, ou em qualquer noite, dia e horário que lhe convenha não está nem aí para este critério de classificação ou sequer tenha a intenção de se casar um dia... Ademais, como bem salientou minha amiga Ana, "o corpo é meu e não preciso de autorização de homem nenhum para fazer dele o que bem quiser" (ou algo do tipo). Concordo plenamente, mas, considero que, desde uma vez que isso foi esclarecido a pessoa (homem ou mulher) tem o direito de estabelecer critérios para eleger seu cônjuge. É neste ponto, e somente nele, que residiu meu interesse em partilhar o tal link, se me fosse solicitado quais são os meus critérios para uma escolha como essa, certamente constaria dentre eles o de alguém que compreendesse esse direito e não julgasse moralmente as mulheres por exercerem-no. Aí o jogo se inverteria e eu escreveria o post "Homem que não julga mulher que transa quando quer... esse é para casar"". Tudo isso claro, hipoteticamente! rsrs

Para encerrar por hoje, gostaria de expor aqui uma última impressão. Fico muito incomodada com a expressão "dar". Ela é bastante pejorativa, parece querer implicar uma "facilidade" uma concessão sem critérios, mais do que isto, uma oferta desesperada. Há um juízo de valor aí implicíto, atribuí-se uma passividade a quem "dá", a pessoa é escolhida, está no expositor para ser "pega" por aquele que vai "comê-la". Daí deriva a expressão "fácil" atribuída às mulheres que "dão" mais e para mais caras. Elas são facilmente pegas, dão sem exigir muito... Ora, numa relação os envolvidos dão e recebem, oferecem seus corpos para o prazer que o encontro proporciona, optam por estarem ali. Então, meu filho, se uma mulher transa contigo, é porque ela te escolheu, seja por teus belos olhos, seja por gostar de sexo apenas... Ambos são fáceis ou difíceis (o que não é, absolutamente, critéro de valoração moral) dependendo do tanto de investimento que a empreitada demandou e ninguém está "dando" seu corpo, no máximo "emprestando" para a troca de prazer.

Enfim, eis minha estréia nas discussões sobre o feminismo, espero escrever mais vezes sobre o tópico e um dia me aprofundar acerca dele.

;)