sábado, 11 de dezembro de 2010

c'est la vie...

nossa, tantos dias de ausência eis que resolvo pintar no espaço, mas não vou me desculpar, aqui não é para isto, é um lugar que me deve ser aprazível, se não for assim não brinco mais ;).
como escrevo com a ajuda de um pinot noir, talvez me enrole um pouco...

hoje resolvi comparecer a uma demonstração de capoeira da cordão de ouro (grupo do qual participo) para um hospital infantil. no caminho, atrasada e perdida como sempre, elaborei algo que já havia percebido: paris é viva, é vivaz, a impressão que tenho é que não há um só dia e uma só rua que não seja movimentada, não importa o tempo que faça - especialmente no sábado -, os metrôs estão sempre cheios e os shoppings abarrotados, ademais o povo (porque há pesssoas de todas as partes do mundo) a-ma correr, mon dieu, a qualquer hora que eu olhe pela janela, tem sempre alguém correndo, mesmo depois de muita neve com o chão escorregadio lá estão os 'maratonistas', as vezes vestidos de verão!
nós (brasileiros) nos consideramos 'vivos' por sermos calorosos, receptivos, festeiros, alegres, etc..., caricaturas à parte, penso que a vivacidade do parisiense está em não temer o frio, em estar sempre povoando as ruas e os cafés, se relacionando com a cidade de que tanto se orgulham!
estas diferenças me chamam atenção, gosto de senti-las e por falar nisto, depois do tal evento, tive horas agradabilíssimas na companhia de Leo, uma francesa que conheci na capu, jantamos juntas e entre quiabo, champingon e vinho creio que tive uma das minhas primeiras trocas verdadeiras com a frança (para além da filosofia, bien sûr), estou contente com isto, uma troca humana, de vida!

desde a última vez que postei muitas coisas se passaram, das mais importantes farei tópicos, voilá:

- dia primeiro voltei para maison du brésil, agora, no apto de casal, temo até me perder de tão grande que são estes 32m, isso é um luxo aqui e a falta de móveis colabora com esta sensação, o quarto é frio, mas estou satisfeita;
- no primeiro domingo deste mês fui ao museu do rodin e não tenho mais palavras de tão lindo...;
- esta semana nevou de verdade, vi que aquela primeira neve era só uma amostra, quarta-feira passada tive que sair durante uma 'pequena nevasca' e pude sentir os floquinhos de algodão virando gelo e água ao se encontrarem comigo, continuo me encantando, é lindo!
- ... só que, além de atrapalhar o trânsito e deixar muita gente sem ter como voltar para casa, depois, quando a neve começa a derreter, forma-se o verglas (camada de gelo) e fica um tanto perigoso, eu mesma levei o maior tombo na entrada da BNF (bibliothèque nationale de france) previsto desde o momento em que insisti em me aventurar à sair de casa;
- por falar em BNF, ando animada com a escrita e meu trabalho começa a tomar forma ou, numa expressão que lhe é mais conveniente, corpo, isto explica e justifica minha ausência passada e quem sabe futura, mas sempre que sentir vontade pintarei por aqui.

abaixo algumas imagens destes meus contos,

bisous e piscadinhas ;)

p.s. importante: faltam só oito diasss!!!

na frente da maison do japão
dispensa legenda...
entrada da cité u no dia em que mais nevou até agora:
bnf no dia lindo que fez depois, o mesmo em que caí ;) :
moi et leo
mistura afrobrasifrancesa:

domingo, 28 de novembro de 2010

simples beleza...

o clima de que andava reclamando resolveu se manifestar e na tarde desta sexta-feira deu mostras de como pode ser belo e emocionante, como tudo na vida! aconteceu por aqui, em pleno outono diga-se de passagem, o primeiro nevar. primeiro para muitos que como eu ficaram emocionados. estava encerrada no meu quartinho aqui na RAG, lutando contra minha vontade de não fazer nada e com uma certa tristezinha companheira, quando vi os primeiros floquinhos caindo pela janela. eu não posso negar, me senti uma criança e meus olhos chegaram a lacrimejar timidamente. resolvi acompanhar o espetáculo da janela da cozinha para obter uma visão melhor e acabei por esquecer o cartão dentro do quarto, com isso fui obrigada a ir até a recepção para pegar uma cópia, resultado (já partilhado com alguns): os primeiros floquinhos de neve que cairam sobre mim encontraram um corpo mal agasalhado, de chinelo havainas e meias! mesmo assim, foi lindo!


(registros capturados dos "faces" alheios)

este pequeno mimo do tempo durou em torno de uma hora, o suficiente para deixar doces souvenirs pelos espaços da cité infinamente registrados, pois
quase que simultaneamente as redes sociais se inflaram com fotos e mensagens de pessoas também tocadas pelo episódio, alguns obtiveram respostas tais como: "a primeira neve é linda, mas depois de um tempo quando neva você pensa: que saco, neve de novo!". eu imagino mesmo que assim como a chuva, por mais bela que seja, nos chateie bastante, o mesmo deve se passar para quem já está habituado com a branquidão gelada deste fenômeno. isto me fez pensar nas belezas que se ocultam para nós quando se tornam vulgares e, ao mesmo tempo, fiquei contente por poder vivenciar este momento com a alegria de quem vê pela primeira vez algo mágico!

só passei aqui neste fim de domingo preguiçoso para partilhar esta belezura com vocês, agora preparo meu retorno à maison du brésil!

piscadinhas com carinho saudoso ;)

agora faltam 21!!!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

um dia de sol...

(vista da minha janela)
... um entre sete, esta é a média dos dias em
que podemos contar com a luz não tão radiante do sol por aqui. também escurece cedo e o outono já nos faz experimentar o frio de inverno aí no sul.
gostaria de escrever mais neste espaço, mas ando desanimada e angustiada. desanimada com o frio e com a ausência de luz! quando amanhece com a promessa de um dia de sol me sinto melhor. também não é nada grave, não é que eu não esteja gostando de estar aqui, só estou numa fase menos pollyana! a angústia tem a ver com minha tese, mas deixemos estes queixumes de lado, até porquê, neste caso só me resta baixar a cabeça e trabalhar!

o clímax das cores de outono já passou, mas ainda assim encontro belas imagens nos meus trajetos cotidianos pela cité. também no meu dia à dia, encontro belezinhas ordinárias, em geral relacionadas as pessoas que conhecemos aqui, tais como: ter alguém para quem ligar quando se passa mal, receber um presentinho com um belo cartão de uma amiga que visitou veneza, detonar uma feijoada no domingo, comer o melhor sorvete italiano já experimentado (que paramêtro... ), etc...

sem muita inspiração para escrever, me despeço com alguns breves relatos em tópicos (apenas para atualizar os amigos) e outras imagens:

- sábado passado fiz uma visita guiada ao quartier latin, onde ficam algumas das principais instituições de ensino, o panthéon, etc, aprendi várias coisas sobre a história da região e também um dito francês que não pude esquecer: "on river gauche on pense, on river droit on dépense" (algo como: do lado esquerdo [do rio sena] se pensa, do direito se dispensa), uma menção ao fato de que de um lado estão as universidades e institutos mais antigos e renomados e do outro os centros comerciais como a champs elysée, as galarias lafayette, etc. a única coisa que me ocorre diante disto é: il faut être sur le bon côté du river, urgemment! (é preciso estar do lado certo do rio, urgentemente! risos...);

- a capoeira tem me rendido mais dores que o normal, aliás, ando com muitas dores muscular, acho que é a tensão...;

- meu professor no curso de francês aqui da cité disse que ouvir brasileiros falando português dá a impressão de uma língua muito zen, muito tranquila, não sei se foi um elogio, mas achei engraçado, ele é um parisiense bem típico e simpático;

- dia primeiro próximo retorno a maison du brésil ;), conseguimos um studio de casal lá, estou aliviada, temia ter que perder mais tempo atrás de moradia;

- descobri que sou péssima fotografa!;

- ...

et, voilá, algumas imagens fora de contexto, só porque gostei ;) (risos):

embaixada do brasil na frança

sorvete da amorino

dispensa explicações

piscadinhas com saudades ;)

p.s.: faltam 25 dias para o felipe chegar!!!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

bipolaridades!

bem, pela desordem do meu último post deu para sentir que
eu não estava muito legal, mil coisas se passavam em meuspensamentos junto com a ideia de fechar mais um ano de vida. para ser sincera eu estava bem tristinha, pela primeira vez a solidão começou a bater e a estranheza que me era estranha até então, resolveu se achegar... mas, uma surpresa preparada pelos novos amigos daqui mudou meu dia! foi muito emocionante, não tenho palavras, apenas...

no restante da semana tivemos mais duas amigas de aniversário e, com isto, mais duas festinhas surpresas. eu não sei se as meninas desconfiaram ou não, mas isto é o menos importante. linda é a alegria e o conforto que estes gestos nos proporcionam!

apesar disto, o fim de semana chegou e com ele um mau tempo e mais uma 'tristesinha' daquelas! nem a intensa programação cultural proporcionada pelo teatro da cité e pelo primeiro domingo do mês (museus de graça!!!) amenizou. eu não quero fazer uma relação estrita, mas só hoje com advento de alguns raios de sol senti sinais de melhora. espero que esta conexão se dê apenas na minha mente de bob, afinal, cada dia escurece mais cedo, já é noite antes das 17:30h (entrarei em depressão deste modo!) ademais, estava de tpm, logo, existem mil outras relações possível, n'est pas?

sobre o fim de semana:
sábado fui assistir à três 'peças circenses' (chamemos assim) participantes do festival "jeunes talents cirques" (jovens talentos circo) no "théàtre de la cité internationale". eu sei, não só parece, mas viciei mesmo, em minha defesa alego que já havia reservado lugar neste espetáculo quando soube daquele que comentei no último post. por falar nele, o guia do evento explica minha surpresa de outrora, de fato, isto que se faz com circo é uma 'nova' tendência.

todas as três (Petit Mal, My! Laïka e Losing Grip) foram incríveis, não só pelo que se faz com o corpo nas acrobacias, mas também pelo uso contemporâneo e desconcertante do palco e dos objetos em cena. a falta de um roteiro explícito, com falas e momentos logicamente encadeados somada aos momentos chocantes em que os personagens conduzem os artistas aos limites do 'eu posso' corpóreo também nos faz extrapolar as possibilidades de dar sentido ao que se passa... haveria ainda outras apresentações, mas eu voltei para casa amargar o mau tempo e minha tristeza no meio daquele emaranhado de pensações que estas três já me doaram! segue abaixo algumas fotos da primeira (a que eu mais gostei) encontradas no google:






























no domingo aceitei o convite da dê e aproveitamos a gratuidade do dia para conhecer três museus (mon dieu, justo eu!). são eles: o museu das artes asiáticas; museu da idade média e centre pompidou de arte moderna e contemporânea. minha intenção era a de fazer uma "pesquisa" para saber em qual voltarei com mais calma. mas, quando cheguei ao último não queria saber de investigação nenhuma, só de casa e cama! já estava muito cansada. o que foi uma pena, pois é certamente o primeiro ao qual pretendo voltar e "revoltar" ainda muito, tem tanto lá para se desgutar!!! ao menos deu para me deliciar um pouco ao ver o trabalho de uma brasileira lá exposto:
por fim, o registro de uma cena inusitada entre uma andança e outra de domingo:

quem diria não? pá-ri-mermo!

bem, monologar por aqui é sempre bom e a tristeza vai diminuindo,

piscadinhas ;)

p.s.: faltam 38 dias para o felipe chegar!!!!!!!!!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

velhas novidades

muitas emoções me atordoam* hoje:
- fazer 27 anos em Paris, sem nenhum plano de comemoração e nem ânimo para tal. eu sempre fui um tanto indiferente ao meu aniversário (claro que se ninguém lembrasse eu ficaria arrasada!), mas aqui tal sentimento me deu uma impressão de solidão, também estou me sentindo velha...;
- o resultado das eleições por aí que me deixou aliviada;
- a saudade cada vez maior do felipe e os 48 dias que ainda faltam para nos encontrarmos;
- um início de desespero pela tese que não sai e pelas leituras que não fiz ainda;
- etc...

é nesta agitação que me deu vontade de escrever novamente neste espaço. (tenho um outro amigo blogueiro por aqui e ele costuma se referir ao seu blog como uma espécie de substituto do analista, acho que ele tem razão!)

começo de trás para frente até chegar em montmartre. acho que consegui unir meus últimos passeios com este por uma idéia, a de que coisas tão velhas e tradicionais constituem as maiores novidades para mim. me sinto como uma criança muitas vezes (o que não ameniza em nada o peso da data, ao contrário...).

- ontem, consegui pegar o último de dia de programação do "village de cirque", um evento que ocorreu durante todo o mês de outubro reunindo diversos espetáculos circenses. uma amiga me avisou e fomos assistir a peça "larsen". bem, inevitavelmente a sensação que eu tinha era a de que encontraria palhaços, animais, mulheres barbadas e por aí vai, mesmo sabendo que esta é a noção restrita de circo que tive na infância pelos poucos que passaram por minha cidade. ora, eu sei que não se trata disso, mas é uma expectativa natural eu diria...

o que eu vi foi uma encenação completa, profunda, densa.
um show de expressão corporal num espaço muito
singelo, apenas algumas roupas, três artistas, alguns instrumentos e uma corda pendurada no centro da tenda. de uma sensualidade delicada, pude assistir a alguns dramas humanos e da vida em comum sendo discutidos com o corpo (que prato cheio para se pensar!). fiquei encantada, apesar do meu espanto com a nova noção de circo que se materializou finalmente para mim. pessoas de todas as idades, incluso crianças pequenas acompanhavam o desenrolar de um show que, para os nossos padrões seria 'não aconselhável' para os muito jovens.

de quebra, ao sair extasiada, descobri o lago "miromesnil" e o parque a sua volta, um lugar que por si só já é lindíssimo e ainda estava todo enfeitado com as cores do outono parisiense!





a noite, fomos à casa do méxico para participar da 'festa dos mortos', uma festa típica em que os mexicanos rendem homenagem aos seus entes queridos que já se foram, lhes constroem um altar, com fotos e oferendas e celebram com muito alegria. adorei o ritual, achei de uma sabedoria!















- sexta-feira passada, fui à pinacoteca para ver a exposição "l'Or des Incas" ("O ouro dos Incas"), também outra "milenaridade" que me impressionou bastante. não só pela primeira múmia que vi na vida!, mas também pela desenvolvimento das civilizações pré-colombianas que viveram nos andes. a riqueza de detalhes e engenhosidades dos seus instrumentos e dos seus códigos morais. a relação com a terra e com o ouro. enfim, um misto de misticismo com alto desenvolvimento. o que me chamou atenção para o fato de que o "velho mundo" só é aqui porquê o "mundo antigo" daí foi devastado pela colonização. é, precisei vir para cá para 'realizar' isto...
ao sair de lá, fomos vislumbrar a torre eiffel a noite (só tinha ido durante o dia), talvez o clichê mais adorável do mundo! (não vejo a hora de fazer estes passeios acompanhada para fechar todos os lugares-comuns mais românticos!)

- por fim o maravilho montmartre que visitei no dia 09 de outubro. tive a sorte de conhecê-lo no dia em que rolava a "fête des vendanges" (festa da colheita de uvas). estava mágico, muita gente, creio que mais do que o normal, degustação de queijos e vinhos e outras delícias, artistas pelas ruas (mais do que o normal também), a basílica de sacre coeur , o café da amélie (outro clichê que me encanta!) ... posso dizer verdadeiramente: enchantée!
























- abaixo segue um vídeo sobre a exposição da pinacoteca, fornecido pelo site oficial da mesma.

piscadelas de vovó ;), saudades!





Découvrez L'or des Incas exposé à la Pinacothèque de Paris sur Culturebox !

* nas duas acepções de atordoar de acordo com o houaiss:
1 causar ou sentir abalo ou perturbação dos sentidos por efeito de pancada, queda, bebida, estrondo etc.; aturdir(-se)
transitivo direto e pronominal
2 tornar(-se) menos sensível; adormentar(-se), insensibilizar(-se)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

cotidianidades

hoje pisei na me... literalmente e pela segunda vez desde que cheguei aqui! este episódio me deu vontade de falar sobre cotidianidades. sempre me perguntam o que como, o que faço, se tenho conhecido muita gente, etc., etc. voilá,

- pela primeirissíma vez eu pude experenciar a fama de 'nãomuitosimpático' do francês, mas, por mais bizarra que tenha sido a situação, eu continuo com uma ótima impressão. explico-me: eu precisava imprimir e scannear um documento para enviar ao brasil, fui numa loja onde consegui fazer a impressão, mas não o scanner dado que não tinha um 'pen-drive' e eles não mandavam por email, enquanto o senhor me explicava onde eu poderia realizar o serviço, uma outra menina entrou na loja com a mesma demanda, ela falava um francês insuspeito para minha audição ainda destreinada. fomos ao local indicado (descobri no caminho que se tratava de uma colombiana) onde ocorreu o fato. Em dúvida minha colega perguntou se o documento que ela visualizava na tela no computador em que trabalhava a atendente era o dela, a mulher se irritou e começou a ser muito ofensiva, dizendo que era necessário esperar, que ela ainda estava fazendo o serviço, enfim, foi de uma grosseria tal que se recusou terminar o trabalho e ainda nos convidou "gentilmente" a nos retirarmos! pois é, eu fiquei impressionada, mas não abatida, sei lá, talvez porque não tenha sido diretamente comigo, embora eu também tenha sido 'expulsa' do local... só nos restava procurar outro lugar, o que achamos facilmente, mais barato e desta vez com um funcionário simpático! saímos de lá para um café e conversamos bastante sobre a vida por aqui, a diferença entre o europeu e o latino-americano, trocamos telefones, etc. espero encontrá-la novamente!
de todo modo, não atribuí a grosseria da mulher à sua nacionalidade, encontramos gente assim em todo lugar... embora haja um tipo comum que nos distinga enquanto brasileiros, colombianos, portugueses e por aí vai, ele não é determinante ao extremo (como aliás, não o é nenhuma das nossas inúmeras determinações: signo, sexo, idade, raça, profissão, etc.).
vejo que outros colegas brasileiros sentem mais a diferença por estarem aqui e o episódio de hoje me pôs a pensar: porque não eu? e me dei conta de aquela história de sorte do primeiro post continua. estou a conhecer paris e os parisienses de uma perspectiva muito agradável, até confortável. primeiramente, desde a cité e, especialmente, da maison du brésil, um local que existe para acolher estrangeiros! depois, fora daqui, os franceses que tenho contato são: meu co-orientador que fala português perfeitamente, tem filhos no brasil e está sempre por aí, além de ser muito gentil e o pessoal da capoeira que, evidentemente, já tem uma queda por nosso país. bem, podem ser meus olhos de pollyana (como costuma dizer o felipe), mas não tenho este estranhamento todo!
sobre as coisas mais comuns:
- tenho almoçado regularmente no 'restô', a comida as vezes é boa, mas em geral é regular, de todo modo são 3,00euros, não dá para competir;
- lá é difícil não encontrar algum brasileiro, mesmo que não tenhamos marcado;
- estou assistindo apenas um curso da sorbonne, por se tratar do professor que me co-orienta
e por estar lendo seu livro sobre o mesmo tema, estou conseguindo acompanhar bem as aulas, embora ele fale muito rápido, o que estranhei é que ninguém faz um pio sequer, na sala (aliás, as salas são muito ruins - a estrutura da universidade não é lá estas coisas) cheia todos ficam anotando ou digitando em seus notebooks, nem mesmo fazem perguntas, são 3horas em que o professor fala ininterruptamente;
- sempre que vou para os lados da paris i, é inevitável dar uma passadinha na livraria da vrin e, consequentemente, comprar um livrinho (hoje comprei a structure du comportement do ponty), fico perdida lá (e olha que nunca tive paciência, sempre preferi comprar pela internet), resolvi fazer uma lista dos que quero adquirir e anotar os preços para me organizar;
- também gosto de comer um crepe que tem na place du panthéon;
- esta semana, depois de alguma burocracia e de 60euros a menos, finalmente consegui fazer a carteirinha da bnf (biblioteca nacional), com ela terei acesso aos manuscritos do merleau-ponty e também ao acervo gigantesco da biblioteca;
- uma notícia muito feliz: hoje compramos a passagem do felipe, dia 18 de dezembro ele finalmente desmbarca por aqui, contagem regressiva!!!;

...

tem mais coisinhas, é óbvio, mas já está tarde por aqui, sei que falta montmartre, mas, mesmo que não fale sobre assunto, o próximo post será ao menos das melhores fotos deste lugar que amei!

piscadelas com saudades de sempre ;)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

...intelectualismos...

dois comentários me fizeram pensar sobre minha última postagem e me deram vontade de "explorar" alguns pontos, voilá:
- eu não espero que a obra de arte tenha um segredo a revelar, como se o autor lá o tivesse escondido, não se tratava disso, pensava mais nas demandas que chamarei de 'psico-sociais' envolvidas numa apreciação seja arstítica, seja de qualquer outra coisa (monumentos, construções, etc...)*. mas, se elas me inquietam é porque eu, de algum modo, gostaria de responder à elas, o que me leva ao segundo ponto:
- acho que tenho uma percepção equivocadamente intelectualizada **. quero dizer que talvez eu esperasse ser capaz de dar as razões rigorosamente kantianas aos meus juízos de gosto. isto é um equívoco primeiro porque não sou suficientemente intelectuliazada para isto e, mais importante, porque creio (eis aí uma contradição) que a experiência estética ultrapasse os enquadramentos intelectuais;
- tendo a pensar que brigam em mim a formação acadêmica que tenho batalhado e a já denunciada matutice de interiorana curiosa.
mas, como tantas explicações são tendenciosas à primeira disputante, vou parar aqui, deixando apenas mais algumas das obras que compõem a minha listinha, conforme havia prometido...

piscadinhas ;)

STEVENS, Alfred. Ce qu'on appele de vagabondage


STEVENS, Alfred. La lettre de rupture

STEVENS, Alfred. Tous les bonheurs

* merci mon amour
** merci cris

domingo, 10 de outubro de 2010

matutices no museu...

exatamente uma semana depois de ter ido ao musée d'orsay eis que resolvo escrever sobre! o problema é que ontem fui à montmartre finalmente, então agora estou tomada pelo encantamento que lá senti (e estava mágico mesmo!). contudo, percebi que a distância no tempo proporciona um trabalho especial nas nossas impressões, possibilitando fazer transbordar justamente as que mais marcas deixaram...
voilá: passei no máximo duas horas neste museu que é relativamente grande (nada comparado ao louvre que desde então passei a temer!), não consegui ver sequer o primeiro andar (são dois, se bem entendi). queria ir calma e sem pressa degustar o que meus sentidos destreinados fossem capazes de apreender. eu não costumo estudar os lugares que vou antes de ir, confesso que mais por preguiça ou falta de tempo do que por convicção, talvez eu devesse fazê-lo... inclusive, pensei muito sobre estudar ou não ao menos um pouco sobre as obras que anotei (fiz uma listinha das que me chamaram atenção*) antes de escrever esta postagem. mas, este é mais um projeto que vai para a lista dos que quero fazer na vida (plano: ser uma humana melhor!), por ora, achei que trairia o objetivo deste espaço se o fizesse, já que é justamente o de narrar aqui as minhas impressões, isto é, as impressões de uma matuta vivendo numa das capitais da cultura e da civilização. aliás, isto foi que me assustou e também cansou nesta visita, são tantas demandas em cada uma das centenas de obras que lá se encontram, camadas e camadas de tintas misturadas com tanta informação histórica, tantos detalhes, tão ricos, a revelar sobre uma época datada ou sobre a humanidade eterna. eu querendo absorver tudo aquilo, olhava atentamente cada obra, pedindo que ela me contasse algum segredo. como não ficar cansada? não desisti de conhecer o museu, mas não quis me saturar com tanto, queria guardar um pouquinho ao menos que fosse!
a primeira que me chamou atenção foi "La guinguette à Montmartre" de Van Gogh, por um instante foi como se eu tivesse entrado na tela, fiquei a imaginar quantas pessoas teriam passado por aquele estabelecimento (trata-se de um cabaré) e coisas que tais, depois me dei conta de uma coisa que desde criança me chama atenção, a falta de traços. explico-me: eu queria muito desenhar as coisas e as pessoas e sem sucesso em fazer o que na época considerava boas representações, dizia para mim mesma: mas todo objeto tem um traço (como os desenhos, era o que eu pensava) e eu devo ser capaz de capturá-lo! bem, a história não era formulada exatamente desta maneira, mas era algo assim que se passava na minha cabecinha de bob** (logo se vê porque não fui para frente na carreira kkk). passei então a olhar para as obras com esta perspectiva: como é que com pinceladas (tão fortes no caso de van gogh, ou pontilhados, ou manchas como n'outros) se constitui uma imagem que é capaz de nos fazer nela adentrar como se fora real? (por vezes até mais do que comumente chamamos de real!)
é, não é à toa que há tantas camadas nestes objetos guardados em museus (não que não haja nos que estão fora deles...), talvez para o europeu (ou este esteriótipo) acostumado que está desde criança a conviver com isso (sim, vemos crianças com seus pais passeando nestes lugares, em excursões escolares, e por aí vai...) estes segredos se revelem facilmente, a nós cabe cavá-los com os instrumentos que tivermos no momento em que a oportunidade se fizer ocasião...
preciso explicar agora porque estou com medo do louvre? já pensaram na infinidade de informações e formações que lá se encontram? temo não conseguir penetrá-lo, mas fico me perguntando se isto é ainda possível. vejam, passamos por lá ao sair do orsay e as filas para entrar eram intermináveis (tudo bem, era de graça por ser o primeiro domingo do mês), mas entramos apenas para ir ao banheiro, mon dieu, o banheiro já é por si só um comércio. sério! além de custar 1euro, tem coisas de banheiro super de luxo para vender, imaginem pagar 5 euros por um rolo de papel higiênico??? pois é, estou com medo... mas, vou! depois conto para vocês como foi!!

piscadinhas



* aos poucos postarei as fotos das outras obras que compõe minha listinha, ao menos das melhores, todas elas, inclusive esta de hoje foram tiradas do site oficial do museu
**do desenho "o fantástico mundo de bob"

domingo, 3 de outubro de 2010

adeus pequeno brasil...

a burocracia pela qual um estrangeiro deve passar chega a quase anular suas impressões, as vezes acabamos por ligar o piloto automático e sair resolvendo tudo sem olhar para os lados!
felizmente, hoje fui visitar o musée d'orsay e inúmeras sensações diferentes me invadiram - espero compartilhá-las no próximo post.

antes porém, quero seguir a ordem cronológica dos fatos e falar sobre minha mudança:

conforme pré-estabelecido, saí da maison du brésil na última sexta-feira, para me instalar na RAG - Residance André de Gouveia, ex-maison du portugal.
quando soube que faria parte da bressage fiquei muito feliz, desejava conhecer pessoas de outras culturas e não havia gostado muito da 'cara' da casa do brasil, estes 22 dias porém me fizeram mudar de opinião, eles somaram tempo suficiente para sentir saudades das pessoas que lá conheci. neste pouco tempo pude confirmar (voilá, precisei sair do brasil para isto...) a fama de acolhedor do brasileiro, todos eram muito solícitos e podíamos contar com alguém para conversar. ahhh a cozinha, lá sempre se tem boa conversa... já havia lido várias comentários sobre em comunidades da internet, mas não imaginava o conforto que isto é capaz de trazer.
eu já não queria sair de lá e tive uma impressão muito ruim da minha nova morada. começava pelo fato de que deveria sair de uma casa às 9h e só poderia entrar na outra depois das 14h, mas o pior são os corredores daqui, as paredes são inteiramente pretas, o quarto apesar de simpático é muito pequeno e o banheiro (que eu não tinha antes) quase se torna uma desvantagem.
a resistência em mudar e gostar do novo 'lar', assim como a decisão contente que tomamos (eu e felipe) em não mais sair da cité me fizeram pensar (o que torna esta postagem, uma continuação da anterior) e me dei conta de que estou com mais medo do que tenho consciência de estar (o que é filosoficamente muito complicado, mas peço licença para ser compreendida como se fora a mais ordinária conversação). todos me perguntavam antes de eu vir se eu não tinha medo e respondia sem dúvida que não, que me sentia muito segura e, de fato, é assim que me sinto ainda. mas, onde se esconde então meu medo? a que ele realmente se dirige? ah, tantas coisas se passam na minha cabeça como possíveis respostas, vai aqui alguma melhor elaborada:
tenho medo de não ser querida pela nova cidade, temo não convencê-la a me mostrar suas faces milenares, temo voltar daqui sem nada ter crescido; ora se eu saio do pequeno brasil em que vivia (e não falo da maison e tampouco dos seus moradores, mas da relação que estabeleci com ela) só poderei responsabilizar a mim por isto! é de assustar não? contudo, sei que estar numa residência de outro país não é suficiente para deixar esta condição, o que será então? well, por ora me contento em saber que devo me pôr esse questionamento, já é um passo!
por hoje, devo dizer que fez um dia excepcional, lindo e quente, a visita ao museu, o passeio com as meninas (lê e dê), companheiras de temores e também de bressage, me fez começar a gostar um pouquinho mais da minha nova boate, digo, casa!
fico por aqui, cheia de ideias sobre o orsay para sintetizar!

piscadinhas