domingo, 3 de outubro de 2010

adeus pequeno brasil...

a burocracia pela qual um estrangeiro deve passar chega a quase anular suas impressões, as vezes acabamos por ligar o piloto automático e sair resolvendo tudo sem olhar para os lados!
felizmente, hoje fui visitar o musée d'orsay e inúmeras sensações diferentes me invadiram - espero compartilhá-las no próximo post.

antes porém, quero seguir a ordem cronológica dos fatos e falar sobre minha mudança:

conforme pré-estabelecido, saí da maison du brésil na última sexta-feira, para me instalar na RAG - Residance André de Gouveia, ex-maison du portugal.
quando soube que faria parte da bressage fiquei muito feliz, desejava conhecer pessoas de outras culturas e não havia gostado muito da 'cara' da casa do brasil, estes 22 dias porém me fizeram mudar de opinião, eles somaram tempo suficiente para sentir saudades das pessoas que lá conheci. neste pouco tempo pude confirmar (voilá, precisei sair do brasil para isto...) a fama de acolhedor do brasileiro, todos eram muito solícitos e podíamos contar com alguém para conversar. ahhh a cozinha, lá sempre se tem boa conversa... já havia lido várias comentários sobre em comunidades da internet, mas não imaginava o conforto que isto é capaz de trazer.
eu já não queria sair de lá e tive uma impressão muito ruim da minha nova morada. começava pelo fato de que deveria sair de uma casa às 9h e só poderia entrar na outra depois das 14h, mas o pior são os corredores daqui, as paredes são inteiramente pretas, o quarto apesar de simpático é muito pequeno e o banheiro (que eu não tinha antes) quase se torna uma desvantagem.
a resistência em mudar e gostar do novo 'lar', assim como a decisão contente que tomamos (eu e felipe) em não mais sair da cité me fizeram pensar (o que torna esta postagem, uma continuação da anterior) e me dei conta de que estou com mais medo do que tenho consciência de estar (o que é filosoficamente muito complicado, mas peço licença para ser compreendida como se fora a mais ordinária conversação). todos me perguntavam antes de eu vir se eu não tinha medo e respondia sem dúvida que não, que me sentia muito segura e, de fato, é assim que me sinto ainda. mas, onde se esconde então meu medo? a que ele realmente se dirige? ah, tantas coisas se passam na minha cabeça como possíveis respostas, vai aqui alguma melhor elaborada:
tenho medo de não ser querida pela nova cidade, temo não convencê-la a me mostrar suas faces milenares, temo voltar daqui sem nada ter crescido; ora se eu saio do pequeno brasil em que vivia (e não falo da maison e tampouco dos seus moradores, mas da relação que estabeleci com ela) só poderei responsabilizar a mim por isto! é de assustar não? contudo, sei que estar numa residência de outro país não é suficiente para deixar esta condição, o que será então? well, por ora me contento em saber que devo me pôr esse questionamento, já é um passo!
por hoje, devo dizer que fez um dia excepcional, lindo e quente, a visita ao museu, o passeio com as meninas (lê e dê), companheiras de temores e também de bressage, me fez começar a gostar um pouquinho mais da minha nova boate, digo, casa!
fico por aqui, cheia de ideias sobre o orsay para sintetizar!

piscadinhas

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