voilá: passei no máximo duas horas neste museu que é relativamente grande (nada comparado ao louvre que desde então passei a temer!),
não consegui ver sequer o primeiro andar (são dois, se bem entendi). queria ir calma e sem pressa degustar o que meus sentidos destreinados fossem capazes de apreender. eu não costumo estudar os lugares que vou antes de ir, confesso que mais por preguiça ou falta de tempo do que por convicção, talvez eu devesse fazê-lo... inclusive, pensei muito sobre estudar ou não ao menos um pouco sobre as obras que anotei (fiz uma listinha das que me chamaram atenção*) antes de escrever esta postagem. mas, este é mais um projeto que vai para a lista dos que quero fazer na vida (plano: ser uma humana melhor!), por ora, achei que trairia o objetivo deste espaço se o fizesse, já que é justamente o de narrar aqui as minhas impressões, isto é, as impressões de uma matuta vivendo numa das capitais da cultura e da civilização. aliás, isto foi que me assustou e também cansou nesta visita, são tantas demandas em cada uma das centenas de obras que lá se encontram, camadas e camadas de tintas misturadas com tanta informação histórica, tantos detalhes, tão ricos, a revelar sobre uma época datada ou sobre a humanidade eterna. eu querendo absorver tudo aquilo, olhava atentamente cada obra, pedindo que ela me contasse algum segredo. como não ficar cansada? não desisti de conhecer o museu, mas não quis me saturar com tanto, queria guardar um pouquinho ao menos que fosse!a primeira que me chamou atenção foi "La guinguette à Montmartre" de Van Gogh,
por um instante foi como se eu tivesse entrado na tela, fiquei a imaginar quantas pessoas teriam passado por aquele estabelecimento (trata-se de um cabaré) e coisas que tais, depois me dei conta de uma coisa que desde criança me chama atenção, a falta de traços. explico-me: eu queria muito desenhar as coisas e as pessoas e sem sucesso em fazer o que na época considerava boas representações, dizia para mim mesma: mas todo objeto tem um traço (como os desenhos, era o que eu pensava) e eu devo ser capaz de capturá-lo! bem, a história não era formulada exatamente desta maneira, mas era algo assim que se passava na minha cabecinha de bob** (logo se vê porque não fui para frente na carreira kkk). passei então a olhar para as obras com esta perspectiva: como é que com pinceladas (tão fortes no caso de van gogh, ou pontilhados, ou manchas como n'outros) se constitui uma imagem que é capaz de nos fazer nela adentrar como se fora real? (por vezes até mais do que comumente chamamos de real!)é, não é à toa que há tantas camadas nestes objetos guardados em museus (não que não haja nos que estão fora deles...), talvez para o europeu (ou este esteriótipo) acostumado que está desde criança a conviver com isso (sim, vemos crianças com seus pais passeando nestes lugares, em excursões escolares, e por aí vai...) estes segredos se revelem facilmente, a nós cabe cavá-los com os instrumentos que tivermos no momento em que a oportunidade se fizer ocasião...
preciso explicar agora porque estou com medo do louvre? já pensaram na infinidade de informações e formações que lá se encontram? temo não conseguir penetrá-lo, mas fico me perguntando se isto é ainda possível. vejam, passamos por lá ao sair do orsay e as filas para entrar eram intermináveis (tudo bem, era de graça por ser o primeiro domingo do mês), mas
entramos apenas para ir ao banheiro, mon dieu, o banheiro já é por si só um comércio. sério! além de custar 1euro, tem coisas de banheiro super de luxo para vender, imaginem pagar 5 euros por um rolo de papel higiênico??? pois é, estou com medo... mas, vou! depois conto para vocês como foi!!piscadinhas
* aos poucos postarei as fotos das outras obras que compõe minha listinha, ao menos das melhores, todas elas, inclusive esta de hoje foram tiradas do site oficial do museu
**do desenho "o fantástico mundo de bob"
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