"Tu me perguntas se teus versos são bons. E sou eu que te interrogo. Anteriormente, pediste a opinião de outras pessoas. Enviaste estes versos a revistas. Os comparas a outros poemas e te inquietas quando certas redações recusam teus ensaios. Já que me autorizastes a te dar alguns conselhos, rogo que cesse com tudo isso. Teu olhar está voltado para o exterior, é primeiramente isto que não deverias mais fazer de agora em diante. Ninguém pode te aconselhar, nem te ajudar, ninguém. Existe apenas um único meio: mergulha em ti mesmo; procure pela razão que te impele a escrever; examine se esta razão estende suas raízes até as mais profundas extremidades de teu coração; respondei francamente à questão de saber se serias condenado a morrer caso te fosse recusado escrever. Antes de qualquer coisa, te questione, na hora mais tranqüila da tua noite: é necessário que eu escreva? Escave a ti mesmo a procura de uma resposta profunda..."
(RILKE, Rainer Maria. Lettres à un jeune poète. Traduction et presentaton de Marc B. de Luany. Gallimard, 1993)
