na aula de ontem, sobre Patočka, o professor Barbaras (meu co-directeur de tese) falava sobre descolar o conceito de movimento de uma relação espacial, porque o movimento implicaria mudança e a mudança nunca está em lugar algum de uma suposta série de sucessão espacial. num exercício de metaforizar e distorcer esta já complicada idéia - totalmente descomprometida com possíveis implicações filosóficas -, digo que a despeito de ter passado o fim de semana quase todo em casa e o dia de hoje sentada nesta mesma cadeira em que agora digito, sinto em mim (diante, dentro, fora, por tudo) uma precipitação que me parece, far-me-á explodir!
como disse que faria, retomei o pensações, na ânsia de literalmente ver toda esta afobação dar n'algum lugar, mostrar-se! reformulei o espaço, reorganizei a proposta e voilá a imagem que escolhi para representá-lo:
"Jeune Homme nu assis au bord de la mer, figure d'étude" de Jean-Hyppolyte Flandrin.
... eis aqui um jovem nú, diante da imensidão do horizonte e do mar. curvado, com a cabeça apoiada entre os joelhos... é assim que me sinto, sem roupas, sem aparato e com uma tarefa enorme diante de mim, que parece ficar cada vez maior quanto mais eu a execute. mas, ele está sentado sobre suas vestimentas, ele as tirou porque assim o quis, eu também escolhi me pôr nua diante não só do tribunal da academia , mas também dos outros e, principalmente, diante do meu e de minhas escolhas.
elas passam por tantos lugares! estar aqui é um deles e sempre a sensação de que paris é um mar para mim e eu tenho muito medo de me afogar!
bem, mas ao menos eu (finalmente!) fiz a carte louvre-jeunes, que dá direito à acesso irrestrito ao museu do louvre durante um ano e apesar de só me faltarem pouco mais de seis meses achei que valia a pena. lá está a tela de flandrin que pretendo contemplar de perto, quem sabe neste ínterim eu não acabo mergulhando sem nem me dar conta?!
;)











