quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

a paris que eu não vejo, a saudade que sinto...

uma culpa ambulante como eu, não deixaria de se sentir assim, mesmo em paris, ou melhor, principalmente em paris!! me sinto culpada por passear por aí, afinal há muito trabalho a ser feito, me sinto culpada por não passear, afinal, estou em paris!!! já perdi muitos programas interessantes na tentativa ainda frustrada de fazer minha tese nascer! e eis que lendo proust achei a descrição mais-que-perfeita do que vive um doutorando, voilá:

"se ao menos eu pudesse começar a escrever! mas quaisquer que fossem as condições em que abordasse esse projeto (tal como, ai de mim, o de não mais beber, deitar cedo, dormir, passar bem de saúde), com arrebatamento, com método, com prazer, privando-me de um passeio, adiando-o e reservando-o como uma recompensa, aproveitando uma hora de boa saúde, utilizando a inação forçada de um dia de doença, o que acabava sempre de sair de meus esforços era uma página em branco, virgem de qualquer escrita, inelutável como essa carta obrigatória que em certos lances a gente acaba fatalmente por tirar, de qualquer maneira que se tenha previamente baralhado as cartas. Eu não era mais que o instrumento de hábitos de não trabalhar, de não deitar, de não dormir que deviam realizar-se de qualquer forma a todo custo; se eu não lhes resistia, se me contentanva com o pretexto que tiravam da primeira circustância que lhes proporcionava aquele dia para os deixar agir à vontade, eu saía da situação sem maiores danos, não deixava de repousar algumas horas no final da noite, lia um pouco, não prativava muitos excessos, mas se queria contrariá-los, se pretendia ir cedo para a cama, beber apenas água, eles irritavam-se, socorriam-se dos meios heróicos, tornavam-me inteiramente enfermo, via-me obrigado a duplicar a dose de álcool, não me metia na cama durante dois dias, não podia mais ler, e prometia comigo ser mais razoável para outra vez, isto é, menos sensasto, como uma vítima que se deixa roubar por medo de ser assassinada se resistir" (PROUST, M. o caminho de guermantes. in: em busca do tempo perdido. V3)

de todo modo, não tenho feito muitos passeios e talvez por isto não tenho estado inspirada para escrever no blog. os dias estão frios e meu corpo dá sinais de sucumbir a tensão da tese: enxaquecas, gripe, tosse, etc. agravados por uma saudade nova do calor, do sol, da praia, dos amigos e abraços conhecidos do brasil. também tem o fato de que, tão cedo, começo a me despedir desta vida, há alguns dias uma amiga da maison retornou e daqui a pouco vou a mais umfamoso 'queijos e vinhos' para a despedida de outra que se vai. não há tempo de se familiarizar. preciso então é me habituar com a ideia do estar sem lugar e tirar disto algum proveito!!

enfim, nada de mais, vou combater estes sintomas exercitando meu corpo na capoeira e aproveitando as belezuras daqui! já temos um passeio marcado para domingo próximo (primeiro do mês e gratuito): vamos conhecer o imponente chateau de versailles, eu já estive lá, mas apenas nos jardins e no domínio de maria antonieta. não sei se vou gostar, mas sei que vou me impressionar e aí me restará passar por aqui para dividir minhas impressões! quem sabe com isto, meu trabalho não resolva fluir?! j'éspere....

piscadinhs ;) et bisous

p.s.: aos meus 'compatriotas' de cascavel désolée em informar que não só cascavel, mas paris também tem um DEDÃO, muito maior inclusive que o nosso!! resta saber qual veio primeiro...

Um comentário:

  1. Cara Elizia! Quando eu cheguei aqui, também pensei que colocaria em prático uma "rotina militar" de estudos. Não deu certo. Procurei ser mais flexível. Também não adiantou. Daí eu parti para a tática do "meu tempo". Passei a fazer as coisas sem pensar na culpa de ser um domingo ensolarado e eu ficar debruçada sobre um livro ou numa terça-feira resolver passear. Quando passei a praticar isso, saiu uma pré-análise dos dados, um artigo para uma revista brasileira e um esboço de capítulo de tese. Aqui, em Paris, o tempo não pode ser muito medido em dias, mas em estado de espírito. Um beijo enorme! Obrigada por tudo e espero não somente continuar acompanhando seu blog como compartilhar sua amizade!!

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