segunda-feira, 14 de novembro de 2011

sobre muitas coisas!

o velho lago municipal de Toledo...

fui e voltei, viagem a terra dos pinheiros, lugar onde nasci, cresci e d'onde parti. é estranho voltar... mas, é bom. reencontrei e me encontrei, me vi nos olhares da infância perdida e da adolescência sonhadora. tenho pensado em muitas coisas desde então, sobre a importância dos amigos, que nos mostram quem somos, quando nos esquecemos ou nos perdemos, sobre a solidão do gozo, sobre decepções e decepcionar, sobre a partilha das gargalhadas, das aflições e dos medos, sobre a dificuldade em se concluir uma tese, sobre fazer planos, sobre saudade orgânica... enfim, tudo meio assim,
... e seus novos personagens...
desordenado mesmo, pois é deste modo que as coisas se configuram nas minhas pensações atualmente.
recentemente reencontrei um poema batido sobre a amizade, mas tão eu, na minha prosmícuidade de relações sociais, que vou compartilhá-lo aqui. desnecessário dizer, que apesar de toda confusão, me sinto "blessed and locky" como na música do 10.000 maníacs e que contra o dito popular de que os amigos se podem contar com os dedos de uma mão, felizmente os meus ultrapassam os das duas, o que faz da minha personalidade um mosaico dos mais diferentes tipos que se possa imaginar! adoro esta flexibilidade, essa capacidade de adaptação, ela me faz mais forte, não mais fraca como poderia parecer, afinal me adapto as situações diversas e posso contar com os distintos apoios e sê-lo quando necessário for, assim espero...
enfim, tanto, mas não muito, é o que temos por hoje!
piscadinhas ;)

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto
e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos
e o quanto minha vida depende de suas existências ...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade,
não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não tem noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital,
porque eles fazem parte do mundo que eu,
tremulamente, construí,
e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.

E me envergonho, porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome e me envelhece
é que a roda furiosa da vida
não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo comigo,
todos os meus amigos, e, principalmente,
os que só desconfiam
- ou talvez nunca vão saber -
que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.
Vinicius de Moraes

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