quinta-feira, 7 de julho de 2011

Brincando em Praga*

Post especial para Kelly e Fabi:
lembrei muito de vocês!

Quando, no dia 21 de junho, passeei por Paris aproveitando a fête de la musique que invadia cada cantinho da cidade, eu não podia imaginar que se tratava de um prelúdio do que seria Praga.

Por aqui eu me encantei, Paris num dia ensolarado de verão com trilha sonora é algo!

Por lá, aprendi que a capital da República Tcheca é também a capital da música, parece fête de la musique o tempo todo! Chegamos no sábado, logo após almoço, nos crendo milionários (1euro vale mais ou menos 24coroas). Tínhamos que "matar tempo" durante a tarde; não podíamos fazer nada que a Dete**, nossa companheira de viagem (que chegaria só no fim da noite), pudesse querer fazer também. Sem pressa e sem muitos destinos (afinal, já estávamos no destino), do aeroporto, desembarcamos inadvertidamente na praça Wenceslau (se bem que só percebi no outro dia). Descobrimos o Museu Nacional onde compramos ingressos para assistir um concerto que se daria lá mesmo mais tarde. No programa, Mozart, Vivaldi, Bach e Dvorak. Ficávamos sentados na escadaria enquanto os músicos executavam com seus instrumentos (incluso aí um cravo) os trechos. Foi lindo! Um ótimo começo!

A cidade é indescritível nos seus milhares de aspectos. Ela é muito diferente (eu não sou o melhor dos parâmetros, mas, voilà). Apesar de inundada de turistas, parece ter parado no tempo. A arquitetura é muito especial, faz Praga parecer viva e voluntariosa. Tudo é assimétrico (nada cartesiano como Paris), suas ruas são tortas, os prédios também. Há aglomerados de igrejas e sinagogas tão próximas, que ficamos sem entender o porquê. Em cada prédio, cada fachada, para onde se olha há inúmeros detalhes, estátuas, flores... Há um certo colorido envelhecido que me encheu olhos. Eu não cansava de repetir: que cidade linda!

Não entramos em nenhum "lugar", a não ser no complexo de sinagogas que compõe um museu da história do judaísmo (o passe incluía um passeio pelo antigo cemitério judeu). Afora isto, descobríamos coisas a cada esquina - que constavam ou não no guia que inultimente comprei (visto que perdi ;( ). Desde jardins, pontes e mais concertos, até pavões, corujas gigantes e falcões. Rodeamos o Castelo, tão complexo quanto a cidade. Nos perdemos (literalmente) na ponte Carlos IV. Acabamos com nossas coroas na metade da viagem. Comemos comida de nomes difíceis, bem gostosas e pesadas. Fomos num "pub" de 1499,  chamado U Fleku*** que fabricava a própria e deliciosa cerveja. Brincamos pela cidade, enfim. Selecionarei algumas imagens e montarei um álbum para ver se consigo expressar um pouquinho mais estas impressões que contam entre as mais lindas que tive nestes 10 meses de sanduíche! (clique aqui para ver o álbum)

E por falar nisto, faltam exatamente dois meses para o meu retorno. Muitas das pessoas que eu conheci tão logo cheguei (e que fizeram parte do que é Paris para mim) já partiram. Eu também já me sinto em despedida... Este mês quero dedicar a escrita da minha tese, que começa a querer sair da minha cabeça. Tenho dormido pouco e me sinto relativamente angustiada, mas não chega a ser um sofrimento. Mil conexões estão se fazendo para mim, só preciso conseguir canalizá-las de um modo inteligível.

À toute ;)

* o título é para aludir a um livro do Milan Kundera (vulgo MK), que eu adoro, chamado "A brincadeira", gostaría de relê-lo e quem sabe escrever sobre numa outra hora; por ora posso dizer que o autor é um dos motivos pelos quais eu ansiava conhecer a cidade,
** ótema por sinal!!
*** indicação da Luiza, (merci!) que eu resolvi carinhosamente designar como o "Le Fleurus" de Praga!

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