Em muitas situações da vida, nos vemos obrigados a ouvir ou dizer certas coisas que todo mundo ouve ou diz em determinadas ocasiões. São os chamados lugares-comuns. Recebi um email amigo cuidadosamente cheio deles e me pus a pensar sobre... O que é um lugar-comum? Ora, um lugar familiar, onde podemos estar confortáveis. Às vezes saímos da nossa órbita por motivos extraordinários: decepções, fim de relações, morte de alguém querido, acidentes, assaltos, frustrações. Justamente nestas horas precisamos de lugares-comuns. "Vai passar", "o tempo cura todas as feridas", "foi melhor assim", e por aí vai... Também tem aqueles: "és especial", "estamos aqui", "pode contar comigo". Nossa, estes são de suma importância. Precisamos dos lugares-comum quando não nos sentimos em casa, quando estamos estranhos a nós mesmos. Como é bom ter amigos para te dizerem os maiores clichês com toda honestidade. Importante também ter a sabedoria para usá-los quando for necessário. Sempre que alguém precisar de ajuda para voltar para casa, que eu não receie ser comum, como os meus também o são, nas horas em que mais preciso...
Por falar em clichê, ontem senti saudades de um lugar que nunca fui. Recebi esta foto da biblioteca da Sorbonne que estava em reformas no período em que estive lá...
Saudades para mim é um lugar bem comum e eu me reconheço e me encontro neste sentimento, que não tem a ver com nostalgia ou vontade de voltar ao passado, mas apenas com a compreensão de que foi bom, foi muito bom...
Piscadelas ;)
dois lugares-comuns: Rilke, com o preciso conselho ao jovem poeta que ainda não encontrou o seu lugar na escrita, conselho que não se aplica apenas ao aspirante no verso, mas a todo aspirante de uma vida em harmonia... e o lugar-comum das palavras simples que quando ditas em momentos complexos acalmam tudo e nos ajudam a perceber que estar no mundo, e à nossa maneira, ainda é o maior barato.
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