domingo, 10 de junho de 2012

a fuga de si

eu não concordo com a definição que Sartre dá de consciência, mas ela é tão bonita...

"Conhecer é 'irromper-se para', arrebatar-se da úmida intimidade gástrica para correr, lá, para além de si, rumo a isto que não o si, lá, junto à árvore e entretanto fora dela, pois ela me escapa e me repele e eu não posso mais me perder nela, tampouco ela pode diluir-se em mim: fora dela, fora de mim. Não reconheceis nesta descrição vossas exigências e vossos pressentimentos? Sabeis bem que a árvore não era vós, que não poderíeis fazê-la entrar em vossos estômagos escuros e que o conhecimento não poderia, sem desonestidade, se comparar à posse. Ao mesmo tempo, a consciência se purificou, ela é clara como um grande vento, não há mais nada nela, salvo um movimento de fuga, um deslizamento para fora de si; se entrásseis 'numa' consciência, o que é impossível, seríeis tomado por um turbilhão e lançado para fora, próximo da árvore, em plena poeira, pois a consciência não tem 'dentro'; ela não é nada além do fora de si mesma e é fuga absoluta, esta recusa de ser substância que a constitui como uma consciência."

"Connaître, c'est  s'éclater vers', s'arracher à la moite intimité gastique pour filer, là-bas, par delà soi, vers ce qui n'est pas soi, là-bas, près de l'arbre et cependant hors de lui, car il m'échappe et me repousse et je ne peux pas plus me perdre en lui qu'il ne peut se diluer en moi : hors de lui, hors moi. Est-ce que vous ne reconnaissez pas dans cette description vos exigences et vos pressentiments ? Vous saviez bien que l'arbre n'était pas vous, que vous ne pouviez pas le faire entrer dans vos estomacs sombres et que la connaissance ne pouvait pas, sans malhonnêteté, se comparer à la possession. Du même coup, la consciênce s'est purifiée,, elle est claire comme un grand vent, il n’y a plus rien en elle, sauf un mouvement pour se fuir, un glissement hors de soi; si, par impossible, vous entriez ‘dans’ une conscience, vous seriez saisi par un tourbillon et rejeté au-dehors, près de l’arbre, en pleine poussière, car la conscience n’a pas de ‘dedans’ ; elle n’est rien que le dehors d’elle-même et c’est cette fuite absolue, ce refus d’être substance qui la constituent comme une conscience. ” (SARTRE, La transcedance de l'ego. 2003, p.88).

4 comentários:

  1. Por que não concorda com "consciência sartriana"?
    Ela foi o mais próximo do 'movimento real' que encontrei...

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    1. Querida colecionadora de Memórias-imagéticas,

      enquanto não tenho uma "consciência eliziana" para te responder o porquê, vou com um resumo do segundo paragrafo de "L'entrelacs - le chiasme" da obra "Le visible et l'invsible", para dizer que embora adore a tese de que o ego é origem de um lançamento, não consigo ver como pode sê-lo a partir de um nada e nem mesmo que reflexão seria essa que chegaria a esse nada sem transformá-lo... Má dialética, muito má... Bem, voilà:

      O visível parece repousar em si mesmo, em volta de nós e nos ser tão estreitamente familiar quanto o são o mar e a praia e, no entanto, não é possível que nos fundemos a ele ou nossa visão desapareceria. Não há, portanto, coisas idênticas que se ofereceriam ao vidente, nem um vidente vazio que as espera, mas coisas das quais só nos aproximamos apalpando pelo olhar que as envolve e as veste com sua carne.

      O vidente (consciência) tem de estar junto ao visível para vê-lo e só pode separar-se dele por uma "dobra" no ser, não por um dualismo fundamental que o faz 'não-ser', no máximo, invisível...

      Agora, eu tenho que te perguntar: o que entendes por "movimento real"?

      Bisous ma belle

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. eiiii, quando eu pensei em responder.... aguardo!

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