domingo, 18 de agosto de 2013

"a palavra não sabe o que diz..."

adoro esse texto da viviane mosé!

realmente a gente caí de si mesmo quando percebe que nossa palavra não sabe o que diz, quando não há mais acordo entre os ouvintes....
que porra! você tem um mundo lindo e colorido esquematizado na sua fala e o outro simplesmente não entende!
esse texto me remete a uma outra discussão prático-filosófica, a do famigerado maniqueísmo entre os assim chamados campos "real" e "ideal". porque não tem nada mais humano do que vestir o concreto com o simbólico!
entre o conceito e o concreto, costumamos pensar que o conceito, a idealização é utópica e que, como tal, não pode ser vivida. que o amor, o desejo, o outro que idealizamos são apenas motivos de frustração... mas, eu discordo, se a palavra se suja com o uso, é porque um dia foi limpa. quer dizer,  é pelo ideal que a usamos para vestir o concreto que sem ela é nu, sem sentido, nada... não há concreto sem simbólico!
é como dizia o bom e velho leminski: 

essa ideia 
ninguém me tira 
matéria é mentira

e como ele, também eu "me recuso a viver num mundo sem sentido"! é só seguir a receita e lavar a palavra suja, uma hora ela reencontra seu vigor e veste, com a última moda, o concreto que a espera!

http://vimeo.com/79616935

4 comentários:

  1. “O sentido, acho, é a entidade mais misteriosa do universo. Relação, não coisa, entre a consciência, a vivência e as coisas e os eventos. O sentido dos gestos. O sentido dos produtos. O sentido do ato de existir. Me recuso a viver num mundo sem sentido. Tirando isso não tem sentido” Paulo Leminski (1944-1989).

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  2. Li uma frase esses dias:'Libertar uma pessoa pode levar menos de um minuto. Oprimi-la é trabalho para uma vida." da Martha Medeiros, sobre meias verdades, silêncios nas relações humanas. Se soubermos limpar a palvra,voltar a origem, fazer uso dela para expressar realmente aquilo que sentimos faremos tão bem ao outro (seja esse outro um namorado,um filho,amigos, seus pais) e a nós. Seria tudo tão fácil...

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    1. É por aí Tati, porém, não se pode ter a ilusão de que há uma "origem" pontual como se houvesse uma verdade originária, entende? Tudo é construção, a roupa é estilizada uma vez, não é naturalmente apregoada ao concreto. Ela é customizada depois, fica gasta, suja, encardida. Podemos lavá-la, refazê-la, mas não existe uma volta ao original, pois não existe original. Não existe "realmente que sentimos", só existe acordo entre nossos sentimentos expressos e o modo como o outro e nós mesmos o acolhemos, ou a falta dele na opressão que você bem traz à baila... Nesse caso, a busca pelo suposto originário (pela libertação) é bem mais fundamental do que o próprio...

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    2. palavras e silêncios jamais se encontrarão...

      http://www.youtube.com/watch?v=5K0LTUvzL_M

      Não se move uma montanha
      Por um pálido pedido
      De alguém que não se ama
      Todo ouro está contigo
      Para isso há muita chama
      No coração do bandido... (2x)

      Mais uma vez o dia chega
      Em minha vida...

      Como uma chama na selva
      O sol na cama da relva
      A tua boca e a lua
      A minha boca e a tua
      Vão deixando pela rua...

      Palavras e silêncios
      Que jamais se encontrarão...

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