segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

mês I, ano I da peste - registros literários

no início desta pandemia resolvi encarar um projeto antigo, ler "o tempo e o vento" de veríssimo. encarei os sete volumes, acabei antes de ontem e me deu uma já uma saudades das personagens, da família terra-cambará com quem convivi por esse 10 meses. aprendi e compreendi tanta coisa sobre a conformação histórica e social de nossa região sul, o racismo e a misoginia que consolidaram, mas também a força das mulheres. no fim estava apaixonada por silvia, a única mulher cuja voz se ouviu diretamente sem ser através do narrador. negres e indígenas em geral (homens ou mulheres), estavam na paisagem, mas é preciso um olhar sensível e algum esforço para ver o quanto foram importante para construção deste território. (31/12/2020) redescobri neste tempo de recolhimento a importância da literatura. ler tem me ajudado a suportar a saudade, o medo e, algumas vezes, o tédio. depois de passar por "a rídicula ideia de numa mais te ver" da espanhola rosa montero (todavia, 2019), sobre a história de marie curie com base no diário que ela começou a escrever após a morte de pierre curie. ontem (24/01/2021) finalizei o "meio sol amarelo" de chimamanda adichie, baseado em fatos reais sobre a guerra civil vivida na nigéria na tentativa de se consolidar o estado de biafra. a guerra aconteceu no final dos anos de 1960 (de 1967 até 1970), com a autodeclaração de independência de biafra (república formada majoritariamente por igbos e localizada na região sudeste do país) e foi devastadora... ainda estou pensando em kaienne, olanna, ugwu, odegnibo e richard... não falarei muito a respeito, não hoje, pelo menos, enquanto ainda me sinto um pouco órfã do convívio com eles... quero falar sobre o poder da arte em geral e da literatura em especial. no caso dos livros que tenho visitado no isolamento, o aspecto da guerra, da recessão, da morte, da saudades, das revoluções e mesmo até de pandemias/epimedias rondam a paisagem de modo que isso me permitiu fazer um importante exercício, fenomenológico eu diria, de pensar sobre como seria estar vivendo esse momento em outras condições (como muitas pessoas de fato estão), também ajuda a vislumbrar que pandemônios (sim porque lembremos que no brasil temos essa outra maldição atual) sempre vão e voltam no ciclo da história. me faz sentir também o que tantos movimentos libertários (feminismo, anti-racismo, etc...) já haviam me feito entender, a luta pela liberdade e por direitos nunca está garantida. é preciso estar atenta e forte! não tem sido fácil... a reocupação deste espaço é a vontade de deixar um registro despretensioso, talvez apenas visitado por moscas e borboletas, exercitar minha escrita e guardar alguns esboços destes tempos...

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