terça-feira, 17 de maio de 2011

sobre o tempo e/ou "minuit à paris"

Já há alguns dias que pensava em falar sobre minha relação com o tempo (ou minha temporalidade) no aproximar do meu regresso. A indisponibilidade para escrever aqui, para responder e-mails ou mandar alô aos amigos, o excesso de tarefas e desejos para fazer caber nos poucos meses que me restam, o piscar de olhos em se passou o meu séjour até então; todos estes são os fatores que me deram muito a pensar sobre o assunto.

O tema ficou ainda mais aflorado depois de assistir o novo filme do Woody Allen: Minuit à Paris (Midnight in Paris). Reencontrei a reflexão desde outra perspectiva que também me é muito cara, a saber, a da nostalgia!

O filme é ótimo, (a velha concepção do diretor da relação entre homens e mulheres parece não cansar, embora passível de críticas), uma comédia com um toque de ficção quase surrealista, mas na medida certa. Gil é um escritor americano que vem a Paris com a família da noiva. Ele se sente desajustado com o seu tempo e sonha com uma Paris dos anos 20, na qual circulavam os Fitzgeralds, Hemingway, Picasso, Dalí, T.S. Elliot, entre outros. Ocorre que ele passa a conviver com estas pessoas, em cafés e festas da época, após o badalar da meia-noite.

Trata-se de uma ocasião para questionar essa impressão comum de que o passado era melhor, de que as coisas estão sem controle, de que o tempo passa rápido demais nos dias de hoje, etc. Ademais, vi escoar na telona as imagens que agora fazem parte dos meus trajetos corriqueiros e me pus à re-pensar também sobre o tempo da cotidianidade, do hábito. 

Eu sofro de nostalgia de véspera e já sinto saudades da Paris que vou deixar, embora não seja diferente com a ilha que em breve vou reencontrar.

Nossas impressões e projeções não têm tempo. Elas vão e vêm com a intensidade e duração que lhes convém. Um doutorado não cabe em quatro anos e, no entanto uma hora é preciso por um ponto final na tese e defendê-la como pronta. A vida numa cidade não cabe num estágio PDEE, mas quantos anos seriam necessários? Não há medida...

Hoje, depois de uma ida frustrada à biblioteca, resolvi comprar um crêpe jambon-fromage, uma orangina e sentar n’algum banco do jardim de Luxembourg para estudar e esperar dar a hora da capoeira. É de onde escrevo. Está um pouco frio. Já é um início de despedida...

Piscadinhas ;)

(escrito ontem 16/05/2010)
 
voilà algumas imagens de partes do meu tempo:
o estranho tempo da morte ...


... ou da falta de tempo


 

do tempo da infância

o tempo da amizade, velhas e novas








gotan project: um show real, virtualmente assistido


2 comentários:

  1. Elizia, esse filme ainda não chegou aqui; aguardo ansioso.
    tempo, tempo, tempo... de partir e de chegar. de viver, apenas.

    lembranças.

    ResponderExcluir
  2. quando chegar não perca! tenho certeza que vais amar!

    ResponderExcluir