domingo, 8 de janeiro de 2012

ano novo, vida velha!

Às vezes eu fico com raiva, raiva de ter escolhido esta vida acadêmica que me leva a lugares lindos e, ao mesmo tempo, me arranca deles e me trancafia no calor de um escritório. Enquanto pensava nisto (e não na tese) o sol brilhava na janela do meu quarto e eu podia ouvir a praia a me convidar para um banho de mar! A raiva, no entanto passa, pois não sou de guardar mágoas e nada mais me resta se não acabar logo com este trabalho que já está na "curva final", ademais, graças ao confinamento, faço algumas viagens também, fico saltitando entre um texto filosófico, vários literários, a vida alheia das redes sociais e outras coisitas internéticas.

Eis algumas belezuras que encontrei hoje e que acho dignas de serem partilhadas...

sobre filósofos e filosofia:

Le philosophe parle, mais c’est une faiblesse en lui, et une faiblesse inexplicable: il devrait se taire, coïncider en silence, et rejoindre dans l”Être une philosophie qui y est déjà faite. (Merlau-Ponty, Le visible et l'nvisible, p.164)

"O filósofo fala, mas isto é uma fraqueza nele, e uma fraqueza inexplicável: ele deveria se calar, coincidir em silêncio e encontrar no Ser uma filosofia já aí feita."

sobre o amor:

"O amor é uma carta, mais ou menos longa, escrita em papel velino, corte dourado, muito cheiroso e catita; carta de parabéns quande se lê, carta de pêsames quando se acabou de ler. Tu que chegaste ao fim, põe a epístola no fundo da gaveta, e não te lembres de ir ver se ela tem um post-scriptum..." (Machado de Assis, A mão e a luva, p. 13)

sobre a impressão da passagem do tempo:

"A corte divertia-se, como sempre se divertiu, mais ou menos, e para os que transpuseram a linha dos cinqüena divertia-se mais do que hoje, eterno reparo dos que já não dão à vida toda a flor dos seus primeiros anos. Para os varões maduros, nunca a mocidade folga como no tempo deles, o que é natural dizer, porque cada homem vê as coisas com os olhos da idade. Os recreios da juventude não são decerto igualmente nobres, nem igualmente frívolos, em todos os tempos; mas a culpa ou o merecimento não é dela, - a pobre juventude -, é sim do tempo que lhe cai em sorte." (Machado de Assis, A mão e a luva, p. 14)

por fim, sobre tudo, nada, algumas coisas:


"- Eh ! qu'aimes-tu donc, extraordinaire étranger ?
 - J'aime les nuages... les nuages qui passent... là-bas... là-bas... les merveilleux nuages !" (Baudelaire, trecho do fragmento L'étranger da obra Le spleen de Paris, p. 7)

" - Eh! que amas tú então, extraordinário estrangeiro?
  - Eu amo as nuvens... as nuvens que passam... lá... lá... as maravilhosas nuvens!"

;)

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