eu não sei quanto as outras pessoas, mas eu, por vezes, quase todas, tenho como critério para minhas ações e relações algo mais ou menos assim: eu gostaria de ser e agir tal como aquela pessoa de quem eu mesma falaria bem e elogiaria... vamos ver se consigo tornar isso claro, afinal tem, como sempre, tudo a ver com o outro, tema que me é tão caro!
nós costumamos admirar pessoas e seus feitos, por isso elogiamos suas posturas diante de determinados fatos, nesses casos, elas são "aquelas de quem falamos" e falamos bem... em contrapartida, tem aquelas que agem de maneira que não consideramos legal, essa são aquelas de quem falamos também, porém, falamos mal.
é por isso que o modo como julgamos o outro diz muito mais sobre nós do que sobre ele... diz sobre nossos ideais de 'ser' e 'não-ser', sobre como julgamos a nós mesmos também...
entre ser efetivamente aquela/e que fala e idealmente aquela/e de quem se fala há um espaço de angústia, de ansiedade que pode causar sofrimento... difícil lidar com isso, porém fundamental para terapia...
por muitas vezes sou acusada de cair em contradição (quem nunca?), aquela velha de se dizer uma coisa e fazer outra... assumo essa pecha, não por falta de compromisso com certas coisas que digo (aquelas pelas quais sou ré e que, portanto, devem ser importantes quando o sujeito que fala é outro...), mas por que por vezes o hiato entre eu efetivo e eu ideal é muito grande para transpor...
e quanta confusão também entre aquelxs de quem falamos e aquelxs que convivemos?! ah, isso é assunto para um outro post, um outro nó nas nossas gargantas... esse post na verdade, era só para detectar um problema constitutivo mesmo... seja lá onde isso possa nos levar (eu e minhas demais acepções de mim...)
segunda-feira, 20 de maio de 2013
quarta-feira, 8 de maio de 2013
sobre diálogo e educação
Ontem, quase ao final, minha aula no campus Cesfi, da Udesc, foi interrompida pelo barulho de uma manifestação de estudantes da rede estadual de ensino médio que gritavam por mais qualidade de ensino e menos alunos em sala de aula. Eu achei deveras interessante ver os estudantes deixarem a posição passiva e atuarem no processo de luta pela educação. Eles carregavam cartazes e podia notar-se um compromisso com a causa. Ao sair da sala, ouvi o seguinte comentário de alguém que não descreverei para manter o anonimato:
-- "Na minha época, as salas de aula tinham 60 alunos e ninguém morreu por causa disso, estão todos vivos, muitos fizeram faculdade".
Havia muita indisposição na sua fala, tentei argumentar que tenho amigos que trabalham no ensino médio e contar um pouco do testemunho que deles ouço, mas fui interrompida por outra pessoa que afirmava que os professores não tinham vontade de dar aula, que eles "matavam" o trabalho com enrolações, e etc. Por mais que eu tentasse suavemente (quem me conhece sabe que dificilmente sou incisiva nas minhas colocações) fui deixada falando sozinha. Minhas interlocutoras deixaram claro que sequer estavam dispostas a ouvir qualquer coisa que questionasse suas posturas.
Era como se eu não estivesse falando nada, que não pudesse ser ouvida, sei lá. Sequer se despediram de mim, acho que por medo que eu insistisse nesse assunto chato com minha posição de "professorinha de filosofia que não entende nada da vida...".
Foi tão triste, são pessoas indiretamente envolvidas com educação pública, respeito profundamente suas opiniões, embora discorde delas radicalmente. A tristeza deveu-se a falta de abertura para o debate, a pensar que boa parte das pessoas costuma sustentar opiniões e valores desta maneira irrefletida, repetindo fórmulas prontas, por ser mais fácil parece...
quinta-feira, 18 de abril de 2013
... este-nord-este ...
"...tem é coisa!"
quando voltei de minha viagem ao velho mundo, caí de amores pela ilha da magia, como é normal de quem sofre de tendência aguda a paixonites. jurei meu amor a este pedacinho de terra de belezas sem par e prometi que só a deixaria se pelo nordeste do brasil... porque dizia isso eu não sei, só sei que os céus entenderam como uma prece e me providenciaram a oportunidade de flertar com esse novo affaire!
por duas vezes pude visitar a capital pernambucana em ocasiões bem especiais, a primeira no seu famoso carnaval e a segunda, recentemente, oportunidade de conhecer um cadinho do interior (a próxima visita esta agendada para a festa de São João!!)
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na estrada que nos levou de Recife até Caruaru, muitos buracos no asfalto e seca transformando a paisagem de agreste em semblante de sertão...buracos em mim também, pude contemplar a vastidão do mundo, ah se eu me chamasse raimundo...
nestes tantos mil quilômetros que nos separam ao sul do país, muita coisa muda minha gente, muda a cor, muda os cheiros, muda o sorriso, mudam os sons...
então qualquer verde parece que vira ouro, tantos os comentários: olha que lindo, verdinho verdinho...
vovó, vira "bobó" e nos recebe com um sorriso nos olhos....
café da manhã vira almoço e a gente come de um tudo na primeira refeição do dia, prova cuscuz e fica com água na boca...
muié vira homi, que nem assim, no grande sertão veredas, guardando a beleza e fazendo a gente entender na pele aquela expressão: mulher bonita é a que luta...
seca vira fartura na mesa da casa de uma comunidade virada em família, comida gostosa que alimenta a alma...
véia vira moça e dança forró equilibrando garrafa de cerveja na cabeça...ou será equilibrando a vida?
já que "viver é [mesmo] negócio muito perigoso" e que "o sertão vai virar mar", neste caso navegar é viver preciso!

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terça-feira, 2 de abril de 2013
o elástico do retorno!
hoje, se eu fosse artista/performer, criaria uma performance em que um(a) bailarinx tentasse correr, mas presx por um elástico acabasse voltando para o ponto de onde partiu em intensidade proporcional a que correu... como não sou, escrevo este post para reestrear este abandonado espaço... não será assim a vida d'algumas almas mais atentas? não estaremos irremediavelmente correndo em direção aquilo de que fugimos?! penso nisso enquanto percorro os caminhos do meu paraná, percebo que embora não pense em voltar, nunca deixo de ir...
(fui, voltei, como sempre... não é muito, mas é tudo que tenho agora...)
"Vim aqui me buscar, com medo e coragem. Com toda a entrega que me era possível. Com a humildade de quem descobre se conhecer menos do que supunha e com o claro propósito de se conhecer mais. Vim aqui me buscar para varrer entulhos. Passar a limpo alguns rascunhos. Resgatar o viço do olhar. Trocar de bem com a vida. Rir com Deus, outra vez. Vim aqui me buscar para não me contentar com a mesmice. Para dizer minhas flores. Para não me surpreender ao me flagrar feliz. Para ser parecida comigo. Para me sentir em casa, de novo. Vim aqui me buscar. Aqui, no meu coração."
Ana Jácomo
para se ler ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=UWeOJD3oidg

"Vim aqui me buscar, com medo e coragem. Com toda a entrega que me era possível. Com a humildade de quem descobre se conhecer menos do que supunha e com o claro propósito de se conhecer mais. Vim aqui me buscar para varrer entulhos. Passar a limpo alguns rascunhos. Resgatar o viço do olhar. Trocar de bem com a vida. Rir com Deus, outra vez. Vim aqui me buscar para não me contentar com a mesmice. Para dizer minhas flores. Para não me surpreender ao me flagrar feliz. Para ser parecida comigo. Para me sentir em casa, de novo. Vim aqui me buscar. Aqui, no meu coração."
Ana Jácomo
para se ler ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=UWeOJD3oidg
terça-feira, 13 de novembro de 2012
O rolo da loucura
A loucura é como um rolo de barbante que nos é dado quando nascemos. Algumas pessoas aprendem a tricotar, crochetear e a tramar esse fio e acabam fazendo com ele artesanatos... Outras nunca aprendem, e quanto mais soltam o fio, mais ele se se emaranha todo e se enche de "nós", nós na garganta, nós pronome pessoal dos outros que acabam enovelados nessa falta de sabedoria. Um nó gordiano que só mesmo cortando com a espada de Alexandre para desatar...
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Carlos e a garota de verdade ou sobre amor, idealismo e realidade
Kilômetros percorri para testemunhar essa união, corri demais só para vê-los, meus bens! et, voilá... as singleas palavras que ofertei aos noivos:
Os ideais e modelos costumam engessar nossas vidas, por isso sempre
relutei contra o ideal do amor romântico que nos ensinam nas histórias
da Disney, príncipes e princesas, etc... Eles não são experienciáveis e
nos causam frustração.
Há um tempo, meu querido amigo Carlos me
contou que estava namorando uma moça chamada Andréia e depois de
inúmeras tentativas mal sucedidas de conhecê-la concluí que ele estava
‘variando’... Vejam bem, a tal moça, de quem eu só via os perfis em
redes sociais era tão linda que parecia uma modelo de capa de revista.
Eu achei então que ela só existia na imaginação fértil do Dom: pobre
rapaz, estava inventando para si uma namorada perfeita!
Um dia,
porém, eu pude tocá-la e pasmei: não é que existe uma mulher tão linda,
meiga e simpática que um modelo pode até ser real?!! Ela é uma garota de
verdade tal como o Carlos merecia...
Essa experiência me fez
perceber que até mesmo o meu ceticismo com o amor é uma sorte de
idealismo e que os símbolos permeiam a nossa vida como um real pulsante.
Estes mesmos que os trouxeram hoje a este altar sagrado, para tornar
carne nessa cerimônia ‘a sorte de um amor tranqüilo com sabor de fruta
mordida...’
Feito esse rito de passagem, agora marido e mulher
descerão deste mesmo altar e passarão pelo caminho de pétalas de flores
pelo qual a noiva chegou. As pétalas, símbolo de tantos ideais de amor,
de beleza, de romance, se tornaram agora o chão já pisado, se misturaram
ao pó da estrada real que seus pés irão trilhar... Para lembrar que o
amor para que seja ‘de verdade’ deve abrir mão da perfeição idealizada e
se fazer encarnado no tecido do cotidiano ordinário. Isso que vocês
vivem meus amados amigos, não deveria, como diz Paulinho Moska numa de
suas canções, “se chamar amor”
O amor que eu te tenho é um afeto tão novo
Que não deveria se chamar
amor
De tão irreconhecível, tão desconhecido
Que não deveria se
chamar amor
Poderia se chamar nuvem
Porque muda de formato a
cada instante
Poderia se chamar tempo
Porque parece um filme que nunca
assisti antes
Poderia se chamar labirinto
Porque sei que não conseguirei escapulir
Poderia se chamar aurora
Pois vejo um novo dia que está por vir
Poderia se chamar abismo
Pois é certo que ele não tem fim
Poderia se chamar horizonte
Que parece linha reta, mas sei que não é assim
Poderia se
chamar primeiro beijo
Porque não lembro mais do meu passado
Poderia se
chamar último adeus
Que meu antigo futuro foi abandonado
Poderia
se chamar universo
Porque sei que não o conhecerei por inteiro
Poderia se chamar palavra louca
Que na verdade quer dizer aventureiro
Poderia se chamar silêncio
Porque minha dor é calada e meu desejo é mudo
E poderia simplesmente não se chamar
Para não significar nada e dar sentido a tudo
terça-feira, 25 de setembro de 2012
samba, teatro, praia, amigos: é, primavera, te amo!
Quase no ponto de pôr uma "pedra final" numa fase da minha vida (aquela mencionada no último post de séculos atrás...), nada como o início de uma nova estação para 're-voltar' por aqui...
O primeiro dia da primavera começou muito bem por estas paradas, foi um final de semana alegre e o Canto do Noel, com sua tradicional feijoada, regada ao samba do lindo grupo "um bom partido" estava, sei lá, parecendo mágico, entende?
Tinha um axé pairando no ar, as pessoas riam fácil e foi um dia propício para novas amizades...
ah tá! explico: O Canto do Noel é um bar tradicional aqui de Floripa, um boteco, daqueles que a gente se sente em casa. Homenageia ao samba no nome e na programação de sábado já mencionada. Fica na Travessa Ratclif, um beco do centro antigo da ilha onde gosto muito de estar (olha só que belezura escreveram sobre aqui)....
Para completar, domingo foi dia de ir ao saudoso teatro - que não frequentava para uma ver uma boa festa desde o festival do ano passado que, por sinal, tá rolando agora, se liga aí no Floripateatro! - e
assistir "As Polacas - Flores do Lodo", no Pedro Ivo. A peça narrava a luta contra o estigma das judias polonesas que vieram para o Brasil, fugindo das condições de vida e da persguição religiosa que assombravam o cenário europeu desde o início do século e que acabavam prostitutas por aqui. Falava sobre suas dores, suas conquistas, sobre ser mulher, ser minoria. Sobre amizade, sobre samba. Aliás, pensei muito no samba e na beleza de se transformar dor em música alegre, contagiante, dançante... A peça se ambienta na Praça Onze, berço deste ritmo brasileiro e da
boemia carioca... Enfim, super recomendo se um dia puderem ver. Muito bem montada, com efeitos especiais na medida, recortes temporais bem feitos, multimídia, musical, etc. Apenas a acústica do teatro deixou a desejar e por vezes não dava para compreender as falas.
A primavera chegou então, mudando tudo, amores se indo, paixões se dissipando e agora até um friozinho tardio veio trazer questões aos corações de corpos solitários. Pessoas chegando, pessoas partindo, beijos despretensiosos, lágrimas, risos... Só pra não dizer que não falei das flores que embelezam esta estação colorida em que as borboletas ficam mais faceiras do que de costume! ;)
| Foto do Noel há um ano atrás mais ou menos... |
Tinha um axé pairando no ar, as pessoas riam fácil e foi um dia propício para novas amizades...
ah tá! explico: O Canto do Noel é um bar tradicional aqui de Floripa, um boteco, daqueles que a gente se sente em casa. Homenageia ao samba no nome e na programação de sábado já mencionada. Fica na Travessa Ratclif, um beco do centro antigo da ilha onde gosto muito de estar (olha só que belezura escreveram sobre aqui)....
Para completar, domingo foi dia de ir ao saudoso teatro - que não frequentava para uma ver uma boa festa desde o festival do ano passado que, por sinal, tá rolando agora, se liga aí no Floripateatro! - e
assistir "As Polacas - Flores do Lodo", no Pedro Ivo. A peça narrava a luta contra o estigma das judias polonesas que vieram para o Brasil, fugindo das condições de vida e da persguição religiosa que assombravam o cenário europeu desde o início do século e que acabavam prostitutas por aqui. Falava sobre suas dores, suas conquistas, sobre ser mulher, ser minoria. Sobre amizade, sobre samba. Aliás, pensei muito no samba e na beleza de se transformar dor em música alegre, contagiante, dançante... A peça se ambienta na Praça Onze, berço deste ritmo brasileiro e da
boemia carioca... Enfim, super recomendo se um dia puderem ver. Muito bem montada, com efeitos especiais na medida, recortes temporais bem feitos, multimídia, musical, etc. Apenas a acústica do teatro deixou a desejar e por vezes não dava para compreender as falas.
A primavera chegou então, mudando tudo, amores se indo, paixões se dissipando e agora até um friozinho tardio veio trazer questões aos corações de corpos solitários. Pessoas chegando, pessoas partindo, beijos despretensiosos, lágrimas, risos... Só pra não dizer que não falei das flores que embelezam esta estação colorida em que as borboletas ficam mais faceiras do que de costume! ;)
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| Novos sorrisos amigos para minha coleção... |
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| ... com seu Lídio, parte do patrimonio do local! |
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