sábado, 27 de novembro de 2021
Um lugar de encontros
finalmente conseguir verbalizar um pouquinho do que tou vivendo aqui e separar algumas imagens, que compartilho com pessoas do meu agrado que tem me perguntado sobre...
um lugar de encontros...
Depois de uma semana de chegada, seguindo os conselhos do filósofo, resolvi que não poderia deixar passar a sensação que me atravessa, no instante mesmo do seu atravessar (n'outros tempos eu permitia as palavras saírem com menos censura... hoje já não posso, talvez porque prefira as palavras-gestos, talvez porque tenha mais filtros...)
Cheguei em Maputo no dia 18 de novembro de 2021... o trajeto do aeroporto para o lugar que ficaria hospedada já foi invadido por uma uma sensação de ter voltado à Bahia... mais especificamente à São Francisco do Conde, também as imagens me remetiam ao Fernando de La mora - Assunción, acho que é essa espécie de anacronicidade... Tudo aqui me é muito familiar, mas também muito distante.. Quanto mais os dias passam, menos sei o que vim buscar e mais certa estou de que aqui deveria estar, neste momento.
Por ora posso dizer que me atravessa a sensação de estar perdida em casa.
Aqui as pessoas são muito simpáticas e sempre dispostas a ajudar, obviamente sou atravessada pelo corpo de estrangeira e isso também traz um pesar para as relações. Frequentemente sou a única pessoa branca nos lugares e em muitos a única mulher, isso não passa despercebido, mas creio ainda não ser capaz de decifrar os olhares. A abordagem de vendedoras e vendedores de rua é constante e, confesso, um pouco cansativa... Não tenho ganas de ir aos lugares turísticos, me sinto esgotada espiritualmente quando vou. Acredito que a pandemia tenha agravado a situação aqui, como lá... Nesse sentido é bem parecido com a Bahia, mas aqui é um pouco mais intenso.
Maputo me parece ser um lugar de encontros, uma capital cosmopolita, mas ao mesmo tempo com uma certa leveza de cidade do interior. Há muitas coisas interessantes acontecendo na cidade, todos os dias, e vamos, mesmo em pouco tempo, nos familiarizando com os rostos, encontrando as mesmas pessoas nos diversos lugares, é muito fácil estabelecer contatos. Pessoas do mundo circulam por aqui, ainda mais em época de Kinani, bienal de dança contemporânea, que tive a chance de pegar. Aliás, por falar em em encontros, encontrei Luciane Ramos, dançarina, coreógrafa, antropóloga brasileira que admiro muito... Encontrei também as Translocadas (reminiscências dos vividos paraguaios) na versão solo cabo-verdiana... Encontrei a Unilab... Perdi a a língua portuguesa, falo brasileiro, mas disso eu já sabia desde os tempos franceses... Assim vou me perdendo por aqui...
segunda-feira, 25 de janeiro de 2021
mês I, ano I da peste - registros literários
no início desta pandemia resolvi encarar um projeto antigo, ler "o tempo e o vento" de veríssimo. encarei os sete volumes, acabei antes de ontem e me deu uma já uma saudades das personagens, da família terra-cambará com quem convivi por esse 10 meses. aprendi e compreendi tanta coisa sobre a conformação histórica e social de nossa região sul, o racismo e a misoginia que consolidaram, mas também a força das mulheres. no fim estava apaixonada por silvia, a única mulher cuja voz se ouviu diretamente sem ser através do narrador. negres e indígenas em geral (homens ou mulheres), estavam na paisagem, mas é preciso um olhar sensível e algum esforço para ver o quanto foram importante para construção deste território. (31/12/2020)
redescobri neste tempo de recolhimento a importância da literatura. ler tem me ajudado a suportar a saudade, o medo e, algumas vezes, o tédio.
depois de passar por "a rídicula ideia de numa mais te ver" da espanhola rosa montero (todavia, 2019), sobre a história de marie curie com base no diário que ela começou a escrever após a morte de pierre curie. ontem (24/01/2021) finalizei o "meio sol amarelo" de chimamanda adichie, baseado em fatos reais sobre a guerra civil vivida na nigéria na tentativa de se consolidar o estado de biafra. a guerra aconteceu no final dos anos de 1960 (de 1967 até 1970), com a autodeclaração de independência de biafra (república formada majoritariamente por igbos e localizada na região sudeste do país) e foi devastadora... ainda estou pensando em kaienne, olanna, ugwu, odegnibo e richard...
não falarei muito a respeito, não hoje, pelo menos, enquanto ainda me sinto um pouco órfã do convívio com eles... quero falar sobre o poder da arte em geral e da literatura em especial.
no caso dos livros que tenho visitado no isolamento, o aspecto da guerra, da recessão, da morte, da saudades, das revoluções e mesmo até de pandemias/epimedias rondam a paisagem de modo que isso me permitiu fazer um importante exercício, fenomenológico eu diria, de pensar sobre como seria estar vivendo esse momento em outras condições (como muitas pessoas de fato estão), também ajuda a vislumbrar que pandemônios (sim porque lembremos que no brasil temos essa outra maldição atual) sempre vão e voltam no ciclo da história. me faz sentir também o que tantos movimentos libertários (feminismo, anti-racismo, etc...) já haviam me feito entender, a luta pela liberdade e por direitos nunca está garantida.
é preciso estar atenta e forte! não tem sido fácil... a reocupação deste espaço é a vontade de deixar um registro despretensioso, talvez apenas visitado por moscas e borboletas, exercitar minha escrita e guardar alguns esboços destes tempos...
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
do outro lado do reconvexo....
Já brinquei meu Lindro Amor, oi ê... Lindro Amor é encruzilhada, é cruzamento... Cruzamento de culturas, de lugares além e aquém mar, encruzilhada de uma vida, que dá uma grande volta, achando que ia para um lugar no mundo e chega até o Lindro Amor futuro do pretérito que já a esperava. Encruzilhada dos nossos antepassados, tradição que sustenta, com todas as contradições atuais e as infindas expectativas de futuro....
Esse escrito logo depois de viver as expectativas (há alguns meses atrás) se reencontra com a reflexão sobre 'sair de casa' que há muitooo vem se gestando em mim. Saí de casa cedo, com 21 anos (na época me achava velha), ou melhor, deixei de morar com meus pais, mas só hoje percebo que demorou muito mais para eu efetivamente sair de casa.
Da primeira vez que eu saí, fui logo ali, deixei o velho oeste paranaense, para habitar a ilha de Santa Catarina, na época foi estranhamento, isso porque a menina do interior (com erre retroflexo no final) achava que Cascavel era o mundo. Nem ela sabia o quanto precisava sair de lá. Hoje vejo que no fundo, não havia nada de novo, a exceção de uma certa liberdade praieira comum ao litoral, e da qual demorei tempos para apropriar. Antes disso, voltei ao velho oeste, desta vez para Toledo e acreditava que seria feliz se o destino lá me deixasse. Mas não era esse o caso, eu tinha que brincar meu Lindro Amor, embora ainda não soubesse disso.... Regressei a ilha, dessa vez para conhecer a capoeira e descobrir que existem mais mundos no mundo do que sonhava a vã filosofia que há anos eu já estudava, sem entender bem o porque ficava ali, morando nela. De lá fiz um salto maior, segui para "os estrangero" (graças a essa filosofia vã, que bem ou mal me abriu muitos caminhos), ainda assim não havia de fato saído de casa. Fazer um estágio doutoral com duração pré-determinada, bolsa capes, morar na Maison du Brésil em Paris, ser super bem acolhida e, por fim, saber que há um momento certo para o retorno, não é exatamente se jogar no mundo. Em todo caso, me abriu o olhar, como disse noutras oportunidades, me vejo desde então como uma modernista "portinária" que do centro europeu aprendeu a enxergar e amar o Brasil. Meus olhos nunca mais foram o mesmos e passei a não precisar mais sair do lugar para viajar. Aprendi a construir monumentos históricos com relações afetivas, a fazer selfies na memória do coração, a blogar para extravasar tantas sensações.... Voltei para ilha, amei-a, me apropriei dela, vivi todos os pedacinhos dela que pude, suas contradições e belezas!
.
Antes de viajar, tatuei uma frase do Leminski no braço, sem me dar conta de que com isso atestava o passado que habita meu corpo como presença constante. Lá do meu Paraná com suas próprias contradições e belezas. Criei para mim o mito da encruzilhada Paraná-Bahia que me fez, com muitas intersecções e inúmeros caminhos possíveis, filosofia e capoeira, negritude e branquitude, África e Brasil.domingo, 9 de março de 2014
Vazio, solidão e amor na cidade ....
... Medianeras e a fotografia de Atget. (para se ler ouvindo http://youtu.be/xiLPaW2TYHU)
Ontem revi o filme Medianeras e hoje descobri (tardiamente eu sei...) a arte de Eugène Atget. Inspirada pela minha amiga Eliana Kuster (arquiteta e apaixonada por História da Arte, pela cidade e por cinema), que vai proferir uma fala sobre o filme em Vitória, resolvi arranhar aqui uma relação que me saltou aos olhos tão logo comecei a investigar a fotografia de Atget.
Na película do argentino Gustavo Taretto dois personagens, Mariana e Martin, enfrentam de formas diferentes a solidão contemporânea petrificada na arquitetura de Buenos Aires. A reflexão mais do que atual sobre nossas edificações, sobre a relação com belo e a moradia está colocada para ambos. Mariana, arquiteta formada, reclama das Medianeras [i] que não deixam a claridade entrar em seu apartamento e a isolam ainda mais do mundo. A ausência de janelas em sua parede aponta para a ausência de janelas da alma que se vê estimulada a relações virtuais, na impossibilidade de comunicação com sujeitos reais (ou ditos reais, mas aí já é outra discussão), não porque eles não existam, mas porque a comunicação está cada dia mais truncada como os milhões de fios e postes que nas cidades nos impedem de ver o sol, apesar de ironicamente nos “aproximarem” das pessoas mais distantes. Martin sofre de fobia social e está em tratamento, também reclama de uma cidade que virou as costas para o seu rio e adere as relações virtuais que não o obrigam a enfrentar seu emparedamento, embora este o afronte o tempo todo. É um filme sobre solidão e amor, sobre a possibilidade de abrir buracos no capitalismo contemporâneo para reencontrar afetos e relações para além ou aquém dele.
Alguns paralelos me parecerem óbvios [não é por isto que não merecem ser analisados, muito pelo contrário] entre seus elementos e os do filme (para além de Buenos Aires ser considerada a Paris sul-americana). Martin está em tratamento de sua fobia e seu psiquiatra lhe recomenda que registre fotograficamente a cidade, a beleza, coisas que dela lhe agradem e que possam fazê-lo gostar de ali estar, momentos perdidos para o olhar desatento. Mariana trabalha como vitrinista e reflete sobre os desejos colocados na vitrine, mas não só, também sobre sua individualidade ali exposta, no anseio de ser talvez vista, através de seu trabalho. Sua dor fica no meio termo entre o coletivo e o individual, não podendo ser apreendida na reflexão. Atget fez uma série de fotos de vitrines parisienses também. Ele se recusava a retratar pessoas, mas retratou os simulacros sociais, aquilo que está ali como modelo a ser desejado, aquilo que coletivamente os indivíduos desejam ou deveriam ser e/ou ter.[ii]

A fotografia - terapia - como arte de guardar o que os indivíduos perdem na cidade, seu “habitat natural”, lugar onde ocupam e se ocupam. Atget já sabia que seria assim, os espaços públicos se tornariam, paulatinamente meios apenas de passagens, para indivíduos que não podem ocupá-los, pois já não são mais sujeitos determinados. O sujeito que Atget tirou da cena, hoje já não sabe mais como se colocar nela. Os meios são muitos, difusos, complexos, confusos e contraditórios. Estamos a um clique dos lugares e pessoas mais distantes e estamos tão longe de nós mesmos visto que nem sequer sabemos onde estamos. A cidade como um palco, um cenário de atuação... A pergunta, conectados a que? A quem? Quem conectadx? Nesse emaranhado de fios é um luxo necessário encontrar algo ou alguém, um projeto, um lugar para repousar.... Um descanso para as infindas urgências sem telos que nos são colocadas e que colamos....



[i] (pared medianera é nome dado àquelas paredes sem janelas dos edifícios, também chamadas de paredes cegas. Geralmente, são as paredes laterais de um prédio, que, por sua proximidade com o edifício vizinho, não se pode "abrir janelas". Muitas vezes, estes espaços são usados para afixar outdoors ou algum tipo de publicidade. Na Argentina a construção de janelas em paredes medianeras é proibida por lei, ainda assim muitos descumprem a ordem, em busca de mais claridade em seus apartamentos. Naquele país as medianeras são fontes de muitas brigas judiciais)Fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Medianeras
[ii] Ver mais sobre http://lounge.obviousmag.org/f64_straight_writing/2012/11/as-vitrines-de-eugene-atget-a-cidade-o-fotografo-e-seus-simulacros.html
Ontem revi o filme Medianeras e hoje descobri (tardiamente eu sei...) a arte de Eugène Atget. Inspirada pela minha amiga Eliana Kuster (arquiteta e apaixonada por História da Arte, pela cidade e por cinema), que vai proferir uma fala sobre o filme em Vitória, resolvi arranhar aqui uma relação que me saltou aos olhos tão logo comecei a investigar a fotografia de Atget.
Na película do argentino Gustavo Taretto dois personagens, Mariana e Martin, enfrentam de formas diferentes a solidão contemporânea petrificada na arquitetura de Buenos Aires. A reflexão mais do que atual sobre nossas edificações, sobre a relação com belo e a moradia está colocada para ambos. Mariana, arquiteta formada, reclama das Medianeras [i] que não deixam a claridade entrar em seu apartamento e a isolam ainda mais do mundo. A ausência de janelas em sua parede aponta para a ausência de janelas da alma que se vê estimulada a relações virtuais, na impossibilidade de comunicação com sujeitos reais (ou ditos reais, mas aí já é outra discussão), não porque eles não existam, mas porque a comunicação está cada dia mais truncada como os milhões de fios e postes que nas cidades nos impedem de ver o sol, apesar de ironicamente nos “aproximarem” das pessoas mais distantes. Martin sofre de fobia social e está em tratamento, também reclama de uma cidade que virou as costas para o seu rio e adere as relações virtuais que não o obrigam a enfrentar seu emparedamento, embora este o afronte o tempo todo. É um filme sobre solidão e amor, sobre a possibilidade de abrir buracos no capitalismo contemporâneo para reencontrar afetos e relações para além ou aquém dele.
Eugène Atget (1857-1927) é considerado o pai da fotografia moderna, foi um dos pioneiros no uso do recurso fotográfico para registrar paisagens deslocando os sujeitos de cena. Ele não fotografa retratos, mas o vazio das ruas parisienses quando as pessoas estão ausentes. A solidão dos objetos, das vitrines. Ele também é considerado como o primeiro surrealista e teria inspirado esse movimento.

A fotografia - terapia - como arte de guardar o que os indivíduos perdem na cidade, seu “habitat natural”, lugar onde ocupam e se ocupam. Atget já sabia que seria assim, os espaços públicos se tornariam, paulatinamente meios apenas de passagens, para indivíduos que não podem ocupá-los, pois já não são mais sujeitos determinados. O sujeito que Atget tirou da cena, hoje já não sabe mais como se colocar nela. Os meios são muitos, difusos, complexos, confusos e contraditórios. Estamos a um clique dos lugares e pessoas mais distantes e estamos tão longe de nós mesmos visto que nem sequer sabemos onde estamos. A cidade como um palco, um cenário de atuação... A pergunta, conectados a que? A quem? Quem conectadx? Nesse emaranhado de fios é um luxo necessário encontrar algo ou alguém, um projeto, um lugar para repousar.... Um descanso para as infindas urgências sem telos que nos são colocadas e que colamos....



[i] (pared medianera é nome dado àquelas paredes sem janelas dos edifícios, também chamadas de paredes cegas. Geralmente, são as paredes laterais de um prédio, que, por sua proximidade com o edifício vizinho, não se pode "abrir janelas". Muitas vezes, estes espaços são usados para afixar outdoors ou algum tipo de publicidade. Na Argentina a construção de janelas em paredes medianeras é proibida por lei, ainda assim muitos descumprem a ordem, em busca de mais claridade em seus apartamentos. Naquele país as medianeras são fontes de muitas brigas judiciais)Fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Medianeras
[ii] Ver mais sobre http://lounge.obviousmag.org/f64_straight_writing/2012/11/as-vitrines-de-eugene-atget-a-cidade-o-fotografo-e-seus-simulacros.html
sábado, 1 de fevereiro de 2014
des-re-encontros!
"a vida é a arte do encontro, pena que haja tanto desencontro pela vida" disse o poetinha, eu concordo com ele, sempre de acordo, só essa pena me incomoda.... é que do desencontro nascem muitos belos encontros, os melhores eu diria... nesse caso sou mais a florbela: "e se um dia hei de ser pó, cinza e nada, que seja minha noite uma alvorada, que saiba me perder para me encontrar"....
só ao desencontrado se pode encontrar, só o desencontrado pode se encontrar, só os desencontrados se encontram!
______________________________________________________
das coisas que aprendo quando me perco...
"A defesa é natural
Cada qual para o que nasce
Cada qual com sua classe
Seus estilos de agradar
Um nasce pra trabalhar
Outro nasce para briga
Outro vive de intriga
E outro de negociar
Outro vive de enganar
O mundo só presta assim
É um bom outro ruim
E eu não tenho jeito para dar
Pra acabar de completar
Quem tem o mel, dá o mel
Quem tem o fel, dá o fel
Quem nada tem, nada dá"
terça-feira, 19 de novembro de 2013
A felicidade é um rococó francês do séc. XVIII
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| Watteau - Festa num parque |
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| Watteau - Um passo em falso |
"Ele começou a pintar suas próprias visões de uma vida divorciada de todas as privações e trivialidades, uma vida fictícia de alegres piqueniques em parques de sonho onde nunca chove, de saraus musicais onde todas as damas são belas e todos os enamorados graciosos, uma sociedade em que todos se vestem de refulgentes sedas sem ostentação, e onde a vida dos pastores e pastoras pastoras parece ser uma sucessão de minuetos." (GOMBRICH, História da Arte, p. 358)
"... a obra de Watteau possui uma dualidade: a alegria abre espaço para a melancolia. Seus quadros sempre trazem uma felicidade almejada, mas impossível de ser alcançada no mundo real. O elemento da natureza se faz presente em todas as obras, exerce o papel de acolher os jovens, criando um mundo à parte onde a felicidade pode ser plena." (CARMINI, in: http://obviousmag.org/archives/2011/05/watteau_o_pintor_das_cenas_galantes.html)
terça-feira, 17 de setembro de 2013
remédio para desenganos...
como diz a paula toller, "sempre haverá uma canção que fale tudo de mim...", um poema que traduza o que, por vezes, cala, quando já não podemos expressar em palavras o aperto no peito, a dor de um amor impossível, a saudade do que ainda nem foi... curioso, tudo isso é tão clichê, tão comum, tão humano, que certamente, a cada vez que o nó aperta somos capazes de encontrar sua expressão em infindas músicas e poemas e ainda assim, não conseguimos dizer o que nos corta a fala e o falo... eu fico com as modas "como remédio pros meus desenganos"...
aliás, desengano, palavra curiosa, é um engano que esqueceu de se realizar enquanto tal, que pensou que não fosse o que efetivamente é.... para desenganos não se quer remédio, melhor seria se fosse engano e assim permanecesse até se tornar não-engano, mas quando o tratamento é necessário devo dizer "que ninguém pode dizer que me viu triste a chorar [mentira! - do samba do grande amor]" afinal "saudade, meu remédio a cantar..."
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