Por vários motivos que ocupariam muito espaço aqui (que não são tão claros assim) e que se baseiam bastante nas lições merleau-pontianas, gosto da segunda hipótese. Gosto de pensar na fala como não como um instrumento, mas como um comportamento, como uma extensão dos meus gestos e do meu corpo. Quer dizer, falar é como tocar, o tato não é um instrumento da mão, é a própria mão agindo. A fala não é um instrumento do pensamento, é o pensamento ocorrendo (seja no silêncio das minhas divagações, seja no barulho de nossas conversas). Para mim, falar é como tirar a roupa ou colocá-la na frente do outro que quando me fala, me despe ou me veste (e se despe ou se veste). Isso depende da personalidade (ai, que medo) dos participantes da conversa, acho eu... Ou sei lá do que depende, mas não acredito que seja uma decisão que nos cabe...
Quanto a mim, eu falo, falo demais, falo muito, falo de mim, não consigo deixar as palavras guardadas. Logo, estou sempre exposta e assim, também sou despida. não demoro muito a ser desvendada. O que será que quero esconder com tanta exposição? (huum, pergunta para análise futura...) Eu ouço bastante também, sou uma voyeureuse do corpo falado alheio. Certas expressões me lembram certas pessoas que as usam, reparo no modo como são empregadas, nos gestos que costumam acompanhar... Tem gente, entretanto, que não fala em voz alta, que não se expõe tanto, sabe aquelas pessoas que sofrem, amam, odeiam e simplesmente não se deixam apreender no flagra? Algumas são consideradas dissimuladas, premeditam o streaptease para o momento mais oportuno, tiram a roupa, mas nem todas as peças, outras são apenas tímidas ou têm mais dificuldade em se compreender ou se expor...
Há muita sensualidade em falar, estamos sempre gozando e sofrendo, solitariamente ou em multidões, nos excitando, magoando, confortando, indignando. Comendo enfim, porque parece que temos uma fome do mundo e do outro que nosso corpo precisa saciar com os alimentos que o mantém orgânica e simbolicamente.
Eu falo porque tenho fome e calor!

seu texto fala, Elizia...
ResponderExcluirprecisa mais?
Sempre fico confusa quando penso nos paradigmas da linguagem.
ResponderExcluirApesar do constante uso dela, nela - nada me convence.