A loucura é como um rolo de barbante que nos é dado quando nascemos. Algumas pessoas aprendem a tricotar, crochetear e a tramar esse fio e acabam fazendo com ele artesanatos... Outras nunca aprendem, e quanto mais soltam o fio, mais ele se se emaranha todo e se enche de "nós", nós na garganta, nós pronome pessoal dos outros que acabam enovelados nessa falta de sabedoria. Um nó gordiano que só mesmo cortando com a espada de Alexandre para desatar...
terça-feira, 13 de novembro de 2012
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Carlos e a garota de verdade ou sobre amor, idealismo e realidade
Kilômetros percorri para testemunhar essa união, corri demais só para vê-los, meus bens! et, voilá... as singleas palavras que ofertei aos noivos:
Os ideais e modelos costumam engessar nossas vidas, por isso sempre
relutei contra o ideal do amor romântico que nos ensinam nas histórias
da Disney, príncipes e princesas, etc... Eles não são experienciáveis e
nos causam frustração.
Há um tempo, meu querido amigo Carlos me
contou que estava namorando uma moça chamada Andréia e depois de
inúmeras tentativas mal sucedidas de conhecê-la concluí que ele estava
‘variando’... Vejam bem, a tal moça, de quem eu só via os perfis em
redes sociais era tão linda que parecia uma modelo de capa de revista.
Eu achei então que ela só existia na imaginação fértil do Dom: pobre
rapaz, estava inventando para si uma namorada perfeita!
Um dia,
porém, eu pude tocá-la e pasmei: não é que existe uma mulher tão linda,
meiga e simpática que um modelo pode até ser real?!! Ela é uma garota de
verdade tal como o Carlos merecia...
Essa experiência me fez
perceber que até mesmo o meu ceticismo com o amor é uma sorte de
idealismo e que os símbolos permeiam a nossa vida como um real pulsante.
Estes mesmos que os trouxeram hoje a este altar sagrado, para tornar
carne nessa cerimônia ‘a sorte de um amor tranqüilo com sabor de fruta
mordida...’
Feito esse rito de passagem, agora marido e mulher
descerão deste mesmo altar e passarão pelo caminho de pétalas de flores
pelo qual a noiva chegou. As pétalas, símbolo de tantos ideais de amor,
de beleza, de romance, se tornaram agora o chão já pisado, se misturaram
ao pó da estrada real que seus pés irão trilhar... Para lembrar que o
amor para que seja ‘de verdade’ deve abrir mão da perfeição idealizada e
se fazer encarnado no tecido do cotidiano ordinário. Isso que vocês
vivem meus amados amigos, não deveria, como diz Paulinho Moska numa de
suas canções, “se chamar amor”
O amor que eu te tenho é um afeto tão novo
Que não deveria se chamar
amor
De tão irreconhecível, tão desconhecido
Que não deveria se
chamar amor
Poderia se chamar nuvem
Porque muda de formato a
cada instante
Poderia se chamar tempo
Porque parece um filme que nunca
assisti antes
Poderia se chamar labirinto
Porque sei que não conseguirei escapulir
Poderia se chamar aurora
Pois vejo um novo dia que está por vir
Poderia se chamar abismo
Pois é certo que ele não tem fim
Poderia se chamar horizonte
Que parece linha reta, mas sei que não é assim
Poderia se
chamar primeiro beijo
Porque não lembro mais do meu passado
Poderia se
chamar último adeus
Que meu antigo futuro foi abandonado
Poderia
se chamar universo
Porque sei que não o conhecerei por inteiro
Poderia se chamar palavra louca
Que na verdade quer dizer aventureiro
Poderia se chamar silêncio
Porque minha dor é calada e meu desejo é mudo
E poderia simplesmente não se chamar
Para não significar nada e dar sentido a tudo
terça-feira, 25 de setembro de 2012
samba, teatro, praia, amigos: é, primavera, te amo!
Quase no ponto de pôr uma "pedra final" numa fase da minha vida (aquela mencionada no último post de séculos atrás...), nada como o início de uma nova estação para 're-voltar' por aqui...
O primeiro dia da primavera começou muito bem por estas paradas, foi um final de semana alegre e o Canto do Noel, com sua tradicional feijoada, regada ao samba do lindo grupo "um bom partido" estava, sei lá, parecendo mágico, entende?
Tinha um axé pairando no ar, as pessoas riam fácil e foi um dia propício para novas amizades...
ah tá! explico: O Canto do Noel é um bar tradicional aqui de Floripa, um boteco, daqueles que a gente se sente em casa. Homenageia ao samba no nome e na programação de sábado já mencionada. Fica na Travessa Ratclif, um beco do centro antigo da ilha onde gosto muito de estar (olha só que belezura escreveram sobre aqui)....
Para completar, domingo foi dia de ir ao saudoso teatro - que não frequentava para uma ver uma boa festa desde o festival do ano passado que, por sinal, tá rolando agora, se liga aí no Floripateatro! - e
assistir "As Polacas - Flores do Lodo", no Pedro Ivo. A peça narrava a luta contra o estigma das judias polonesas que vieram para o Brasil, fugindo das condições de vida e da persguição religiosa que assombravam o cenário europeu desde o início do século e que acabavam prostitutas por aqui. Falava sobre suas dores, suas conquistas, sobre ser mulher, ser minoria. Sobre amizade, sobre samba. Aliás, pensei muito no samba e na beleza de se transformar dor em música alegre, contagiante, dançante... A peça se ambienta na Praça Onze, berço deste ritmo brasileiro e da
boemia carioca... Enfim, super recomendo se um dia puderem ver. Muito bem montada, com efeitos especiais na medida, recortes temporais bem feitos, multimídia, musical, etc. Apenas a acústica do teatro deixou a desejar e por vezes não dava para compreender as falas.
A primavera chegou então, mudando tudo, amores se indo, paixões se dissipando e agora até um friozinho tardio veio trazer questões aos corações de corpos solitários. Pessoas chegando, pessoas partindo, beijos despretensiosos, lágrimas, risos... Só pra não dizer que não falei das flores que embelezam esta estação colorida em que as borboletas ficam mais faceiras do que de costume! ;)
| Foto do Noel há um ano atrás mais ou menos... |
Tinha um axé pairando no ar, as pessoas riam fácil e foi um dia propício para novas amizades...
ah tá! explico: O Canto do Noel é um bar tradicional aqui de Floripa, um boteco, daqueles que a gente se sente em casa. Homenageia ao samba no nome e na programação de sábado já mencionada. Fica na Travessa Ratclif, um beco do centro antigo da ilha onde gosto muito de estar (olha só que belezura escreveram sobre aqui)....
Para completar, domingo foi dia de ir ao saudoso teatro - que não frequentava para uma ver uma boa festa desde o festival do ano passado que, por sinal, tá rolando agora, se liga aí no Floripateatro! - e
assistir "As Polacas - Flores do Lodo", no Pedro Ivo. A peça narrava a luta contra o estigma das judias polonesas que vieram para o Brasil, fugindo das condições de vida e da persguição religiosa que assombravam o cenário europeu desde o início do século e que acabavam prostitutas por aqui. Falava sobre suas dores, suas conquistas, sobre ser mulher, ser minoria. Sobre amizade, sobre samba. Aliás, pensei muito no samba e na beleza de se transformar dor em música alegre, contagiante, dançante... A peça se ambienta na Praça Onze, berço deste ritmo brasileiro e da
boemia carioca... Enfim, super recomendo se um dia puderem ver. Muito bem montada, com efeitos especiais na medida, recortes temporais bem feitos, multimídia, musical, etc. Apenas a acústica do teatro deixou a desejar e por vezes não dava para compreender as falas.
A primavera chegou então, mudando tudo, amores se indo, paixões se dissipando e agora até um friozinho tardio veio trazer questões aos corações de corpos solitários. Pessoas chegando, pessoas partindo, beijos despretensiosos, lágrimas, risos... Só pra não dizer que não falei das flores que embelezam esta estação colorida em que as borboletas ficam mais faceiras do que de costume! ;)
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| Novos sorrisos amigos para minha coleção... |
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| ... com seu Lídio, parte do patrimonio do local! |
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
o fim!
...e então chegou o momento, passou, se foi. Segunda-feira, 30/07/2012 às 14h, iniciei o fim de um ciclo na minha vida. Defendi minha tese de doutorado, ainda estou embreagada, não só do porre que tomei depois, mas também pelo estranhamento com a leveza de não ter mais um compromisso que me acompanhou durante muitos anos. Segue abaixo o pequeno conto que escrevi e descaradamente li para dar abertura à adorável "carnificina" de cinco horas...
Eu, outrem e a temporalidade dessa tese
Fazer uma tese é uma idealidade muito mais antiga do que o surgimento de minha vida nesse mundo. Quando ingressei nesse programa de pós-graduação, me lancei para essa tarefa , de cuja realização vislumbrava como meu futuro, sem dar-me conta, como é o de praxe em todo lançar-se para um futuro idealizado, de que retomava para mim um projeto antigo que não era exatamente meu e por isso mesmo, também como é de praxe, causava muita angústia.
Esse é o hiato também encontrado na própria temática merleau-pontyana. Ele revive as contradições mais antigas da filosofia entre percepção e conhecimento, entre espanto inicial e dogmatismo final. Aquelas velhas que opunham Parmênides e Heráclito, Platão e Aristóteles. No fim, ou melhor, desde o início, a questão que guiou a redação desta tese foi o desafio socrático: “conhece-te a ti mesmo”, posto agora em dúvida, se alguma coisa eu pude descobrir, foi o que a filosofia contemporânea, de um modo geral, já falou a exaustão: não, não se pode conhecer a si mesmo, não se pode mais falar sem ressalvas em consciência, em pensamento, em cogito. Muito menos na dicotomia sujeito-objeto, ela é um pernicioso equívoco.
Por isso mesmo, a angústia por mim revivida nessa tarefa é a retomada de uma angústia fundamental. Ela tem a ver com o fato de que esse ego que construímos para nós mesmos diante da antiguidade da cultura, ao mesmo tempo em que surge como o imperioso senhor de si mesmo, se descobre enquanto pequenino, ínfimo, diante de outrem. Talvez por isso Ponty tenha concluído que somos todos histéricos, no fim o surgimento desse sujeito fictício é oriundo dessa demanda de “aprovação” alheia. Então, o eu, ao mesmo tempo em que deve ser o senhor de si, estar de posse irrevogável de sua própria definição, nunca consegue de fato sê-lo.
Ademais, essa discrepância entre o lançar-se para um futuro antigo, onde o sujeito que se lança não consegue fixar seu presente parece-me estar bem ‘visível’ na discrepância entre as duas grandes partes desse escrito. Na primeira metade, vê-se uma autora ansiosa por cumprir esse ideal de uma tese acadêmica rigorosa do ponto de vista da pesquisa e também da inovação. Ao passo que na segunda metade encontra-se alguém que descobriu a antiguidade desse projeto e a impossibilidade de atualizá-lo tal como fora premeditado. Não ao menos sem sacrificar a possibilidade de que ele de algum modo viesse a ser uma fala falante, isto é, viesse a re-configurar a significação possível para as teorias investigadas de modo a dizer delas aquilo que ainda não foi dito — justamente o télos mor de uma tese doutoral.
E, eis que a minha historiazinha nessa tese repetiu, de modo bem mais modesto obviamente, aquela já vivida pelo filósofo de nome de vinho (que eu quis beber até me embriagar), ele reconheceu no final de seus escritos quanto de idealismo manteve na gana de desfazer-se de postulados ideais. No meu caso, no último suspiro, no último momento, vi voltar a Elizia idealista, que saída do interior do Paraná chegou à ilha de Santa Catarina para fazer o mestrado, aquela apaixonada por Husserl e por seu rigor inatacável. Depois de muito relutar em admitir a reforma proposta em "O Visível e o Invisível", visto que eu sonhava provar que o dualismo era uma postura intransponível em filosofia, quando finalmente acreditava ter sucumbido aos argumentos mais sedutores do texto póstumo de Ponty, com esses conceitos tão sensuais, tais como o de carne, quiasma, descentramento e resolvi me entregar a proposta indecente de uma sobrerreflexão não intuitiva. Fui flagrada no emprego da noção mais desconcertante - aquela de quiasma - como uma neutralização da diferenciação, que no fundo, a retenção de meu passado idealista não conseguia admitir, por isso ficava a impressão de que o quiasma asseguraria um cogito anônimo, universal. Foi preciso rever isso e enquanto revia, pensei neste texto que agora leio, concluí que vivi a experiência temporal sobre a qual escrevia sem entender direito, conclui que meu passado retido era presente na ausência e que sem que eu representasse o idealismo que foi um dia minha paixão, eu o presentificava inadvertidamente.
Foi também quando aprendi abandonar o ideal de que essa tese fosse minha que encontrei uma terapia para angústia e pude “concluí-la”, quando aceitei que falaria do horizonte do alheio, de outrem, que não me pertencia. Que ela não era a realização de um projeto meu, mas já antigo, que eu apenas retomava com a pretensão de posse, pretensão essa que faz parte do processo de realização de qualquer projeto. Que nela não me encontrava, mas me perdia, então pude deixá-la fluir. Que ela só faria sentido quando eu compreendesse que aquilo que ela me devolve, não é algo meu, um produto de minhas reflexões, porque se a tese sobre a reflexão que defendo for coerente, o que ela me faz descobrir é o olhar de outrem sobre mim, a evidência de que eu existo, mas que sou outra.
Daí que o descompasso entre as duas metades, na primeira eu queria a todo custo minha liberdade de autora-pequisadora-filósofa, dona de si, na segunda a conquistei, justamente quando abri mão desse ideal. O que exponho agora para vossa apreciação é um oximoro de mim, sou eu, minha história pessoal, minhas angústias e conquistas, travestido de um outro eu, a acadêmica que assim deve ser julgada.
Esse é o hiato também encontrado na própria temática merleau-pontyana. Ele revive as contradições mais antigas da filosofia entre percepção e conhecimento, entre espanto inicial e dogmatismo final. Aquelas velhas que opunham Parmênides e Heráclito, Platão e Aristóteles. No fim, ou melhor, desde o início, a questão que guiou a redação desta tese foi o desafio socrático: “conhece-te a ti mesmo”, posto agora em dúvida, se alguma coisa eu pude descobrir, foi o que a filosofia contemporânea, de um modo geral, já falou a exaustão: não, não se pode conhecer a si mesmo, não se pode mais falar sem ressalvas em consciência, em pensamento, em cogito. Muito menos na dicotomia sujeito-objeto, ela é um pernicioso equívoco.
Por isso mesmo, a angústia por mim revivida nessa tarefa é a retomada de uma angústia fundamental. Ela tem a ver com o fato de que esse ego que construímos para nós mesmos diante da antiguidade da cultura, ao mesmo tempo em que surge como o imperioso senhor de si mesmo, se descobre enquanto pequenino, ínfimo, diante de outrem. Talvez por isso Ponty tenha concluído que somos todos histéricos, no fim o surgimento desse sujeito fictício é oriundo dessa demanda de “aprovação” alheia. Então, o eu, ao mesmo tempo em que deve ser o senhor de si, estar de posse irrevogável de sua própria definição, nunca consegue de fato sê-lo.
Ademais, essa discrepância entre o lançar-se para um futuro antigo, onde o sujeito que se lança não consegue fixar seu presente parece-me estar bem ‘visível’ na discrepância entre as duas grandes partes desse escrito. Na primeira metade, vê-se uma autora ansiosa por cumprir esse ideal de uma tese acadêmica rigorosa do ponto de vista da pesquisa e também da inovação. Ao passo que na segunda metade encontra-se alguém que descobriu a antiguidade desse projeto e a impossibilidade de atualizá-lo tal como fora premeditado. Não ao menos sem sacrificar a possibilidade de que ele de algum modo viesse a ser uma fala falante, isto é, viesse a re-configurar a significação possível para as teorias investigadas de modo a dizer delas aquilo que ainda não foi dito — justamente o télos mor de uma tese doutoral.
E, eis que a minha historiazinha nessa tese repetiu, de modo bem mais modesto obviamente, aquela já vivida pelo filósofo de nome de vinho (que eu quis beber até me embriagar), ele reconheceu no final de seus escritos quanto de idealismo manteve na gana de desfazer-se de postulados ideais. No meu caso, no último suspiro, no último momento, vi voltar a Elizia idealista, que saída do interior do Paraná chegou à ilha de Santa Catarina para fazer o mestrado, aquela apaixonada por Husserl e por seu rigor inatacável. Depois de muito relutar em admitir a reforma proposta em "O Visível e o Invisível", visto que eu sonhava provar que o dualismo era uma postura intransponível em filosofia, quando finalmente acreditava ter sucumbido aos argumentos mais sedutores do texto póstumo de Ponty, com esses conceitos tão sensuais, tais como o de carne, quiasma, descentramento e resolvi me entregar a proposta indecente de uma sobrerreflexão não intuitiva. Fui flagrada no emprego da noção mais desconcertante - aquela de quiasma - como uma neutralização da diferenciação, que no fundo, a retenção de meu passado idealista não conseguia admitir, por isso ficava a impressão de que o quiasma asseguraria um cogito anônimo, universal. Foi preciso rever isso e enquanto revia, pensei neste texto que agora leio, concluí que vivi a experiência temporal sobre a qual escrevia sem entender direito, conclui que meu passado retido era presente na ausência e que sem que eu representasse o idealismo que foi um dia minha paixão, eu o presentificava inadvertidamente.
Foi também quando aprendi abandonar o ideal de que essa tese fosse minha que encontrei uma terapia para angústia e pude “concluí-la”, quando aceitei que falaria do horizonte do alheio, de outrem, que não me pertencia. Que ela não era a realização de um projeto meu, mas já antigo, que eu apenas retomava com a pretensão de posse, pretensão essa que faz parte do processo de realização de qualquer projeto. Que nela não me encontrava, mas me perdia, então pude deixá-la fluir. Que ela só faria sentido quando eu compreendesse que aquilo que ela me devolve, não é algo meu, um produto de minhas reflexões, porque se a tese sobre a reflexão que defendo for coerente, o que ela me faz descobrir é o olhar de outrem sobre mim, a evidência de que eu existo, mas que sou outra.
Daí que o descompasso entre as duas metades, na primeira eu queria a todo custo minha liberdade de autora-pequisadora-filósofa, dona de si, na segunda a conquistei, justamente quando abri mão desse ideal. O que exponho agora para vossa apreciação é um oximoro de mim, sou eu, minha história pessoal, minhas angústias e conquistas, travestido de um outro eu, a acadêmica que assim deve ser julgada.
domingo, 24 de junho de 2012
se eu corro...
... ou diálogo com amigos-poetas ... ou sobre fazer cafuné com a palavra escrita...
"ele: gata, espero q este seja mesmo o teu e mail... escrevo pra dizer q entreguei a tese...inacabada, como eu, mas nao tinha mais tempo. Mas o principal é que estou com saudades, e quero saber como vc está, e quando nos veremos"
"ela: Gato, eu to mesma q tu, tenho poucos dias p entregar a tese e mta coisa p terminar... Fico feliz q tu tenhas entregue. Qnd é a defesa? Assim q eu terminar te aviso. To com saudadona tbem!!! Bjobjo"
"ele: 6 de julho... nao é mentira, relaxa, é possível mesmo nessas horas...."
"ela: Lindo!! Suas palavras me fizeram um carinho na alma! Ao trabalho!!!"
"ela: Meu amor, tô quase na curva final, prestes a bater e a dar perda total." (sempre dramática!)
"ele: Então... acelere, acelere meu amor... Ao ponto mesmo de desantenar os pés da poeira do passado que habita o chão... E chegar, enfim, a um céu repleto apenas de doces pétalas de um bom e sorridente amanhã. Bj e saudade"
"ela: tá quase... mas, eu vi tua carinha no google+ hoje e deu uma saudade!! aí parei só para te dizer isso! bisous mon ami!"
"ele: Fica firme aí nessa reta final para a liberdade... Também estou com saudades. Queria muito de dar um abração de urso bem apertado, porque nessas horas parece que é só disso que a gente precisa! Beijo T."
"ele: gata, espero q este seja mesmo o teu e mail... escrevo pra dizer q entreguei a tese...inacabada, como eu, mas nao tinha mais tempo. Mas o principal é que estou com saudades, e quero saber como vc está, e quando nos veremos"
"ela: Gato, eu to mesma q tu, tenho poucos dias p entregar a tese e mta coisa p terminar... Fico feliz q tu tenhas entregue. Qnd é a defesa? Assim q eu terminar te aviso. To com saudadona tbem!!! Bjobjo"
"ele: 6 de julho... nao é mentira, relaxa, é possível mesmo nessas horas...."
"ela: Lindo!! Suas palavras me fizeram um carinho na alma! Ao trabalho!!!"
"ela: Acreditas que paixão pode ser fenix? Me sinto sem passado..."
"ele: Sim, pois se é verdade que as cinzas atestam que a fala falada (idealide pura) morreu, elas são os rastros que marcam a co-presença do perdido, insondável, queimado (idealidade de horizonte, significação existencial)... E o perdido dói qual paixão, como a paixão que, no teu olhar cinzento, me faz desejar a ave que se escreve na tua tese. E, então, a dor passa a ser minha, queimando em minha esperança...."
"ele: Sim, pois se é verdade que as cinzas atestam que a fala falada (idealide pura) morreu, elas são os rastros que marcam a co-presença do perdido, insondável, queimado (idealidade de horizonte, significação existencial)... E o perdido dói qual paixão, como a paixão que, no teu olhar cinzento, me faz desejar a ave que se escreve na tua tese. E, então, a dor passa a ser minha, queimando em minha esperança...."
domingo, 10 de junho de 2012
a fuga de si
eu não concordo com a definição que Sartre dá de consciência, mas ela é tão bonita...
"Conhecer é 'irromper-se para', arrebatar-se da úmida intimidade gástrica para correr, lá, para além de si, rumo a isto que não o si, lá, junto à árvore e entretanto fora dela, pois ela me escapa e me repele e eu não posso mais me perder nela, tampouco ela pode diluir-se em mim: fora dela, fora de mim. Não reconheceis nesta descrição vossas exigências e vossos pressentimentos? Sabeis bem que a árvore não era vós, que não poderíeis fazê-la entrar em vossos estômagos escuros e que o conhecimento não poderia, sem desonestidade, se comparar à posse. Ao mesmo tempo, a consciência se purificou, ela é clara como um grande vento, não há mais nada nela, salvo um movimento de fuga, um deslizamento para fora de si; se entrásseis 'numa' consciência, o que é impossível, seríeis tomado por um turbilhão e lançado para fora, próximo da árvore, em plena poeira, pois a consciência não tem 'dentro'; ela não é nada além do fora de si mesma e é fuga absoluta, esta recusa de ser substância que a constitui como uma consciência."
"Connaître, c'est s'éclater vers', s'arracher à la moite intimité gastique pour filer, là-bas, par delà soi, vers ce qui n'est pas soi, là-bas, près de l'arbre et cependant hors de lui, car il m'échappe et me repousse et je ne peux pas plus me perdre en lui qu'il ne peut se diluer en moi : hors de lui, hors moi. Est-ce que vous ne reconnaissez pas dans cette description vos exigences et vos pressentiments ? Vous saviez bien que l'arbre n'était pas vous, que vous ne pouviez pas le faire entrer dans vos estomacs sombres et que la connaissance ne pouvait pas, sans malhonnêteté, se comparer à la possession. Du même coup, la consciênce s'est purifiée,, elle est claire comme un grand vent, il n’y a plus rien en elle, sauf un mouvement pour se fuir, un glissement hors de soi; si, par impossible, vous entriez ‘dans’ une conscience, vous seriez saisi par un tourbillon et rejeté au-dehors, près de l’arbre, en pleine poussière, car la conscience n’a pas de ‘dedans’ ; elle n’est rien que le dehors d’elle-même et c’est cette fuite absolue, ce refus d’être substance qui la constituent comme une conscience. ” (SARTRE, La transcedance de l'ego. 2003, p.88).
quinta-feira, 7 de junho de 2012
contre l'amour...
E nas minhas escapulidas para fora da tese, entre sertões e veredas, agora é que são elas e as corridas abandonadas, a paixão pela língua francesa me conduz a novas descobertas, y compris, a da voz agradável da múltipla e lindamente retrô Carla Bruni, que confesso ter ignorado quando dividia com ela as ruas da mesma cidade... Nascida na Itália, filha de um brasileiro (coisa que só descobriu mais tarde), criada na França e na Suiça, a ex-primeira dama francesa, estudou na Sorbonne, foi modelo, é cantora e atriz, escreveu essa letra instigante, cantou contra o amor e se casou com o então presidente Nicolas Sarkozi, tornando-se uma figura no mínimo curiosa...
E essa letra da música "L'amor", hum hum, pontual... Voilá,
"c'est une chanson contre l'amour qui s'appele: L'amour, non, non, ... non, c'est un blues" (É uma canção contra o amor, que se chama: O Amor, não, não, ... não, é um blues)
L'amour, hum hum, pas pour moi, O amor, hum hum, não para mim
Tous ces "toujours", Todos esses "sempre"
C'est pas net, ça joue des tours, Não é claro, engana,
Ca s'approche sans se montrer, Se aproxima sem se mostrar
Comme un traître de velours, Como um traidor em veludo
Ca me blesse, ou me lasse, selon les jours, Me abençoa, ou me desgosta, conforme os dias
Tous ces "toujours", Todos esses "sempre"
C'est pas net, ça joue des tours, Não é claro, engana,
Ca s'approche sans se montrer, Se aproxima sem se mostrar
Comme un traître de velours, Como um traidor em veludo
Ca me blesse, ou me lasse, selon les jours, Me abençoa, ou me desgosta, conforme os dias
L'amour, hum hum, ça ne vaut rien, O amor, hum hum, não vale nada,
Ça m'inquiète de tout, Me inquieta demais,
Et ça se déguise en doux, E se traveste em doce,
Quand ça gronde, quand ça me mord, Quando rosna, quando me morde,
Alors oui, c'est pire que tout, Então, sim, é pior que tudo,
Car j'en veux, hum hum, plus encore, Pois eu quero, hum hum, ainda mais,
Ça m'inquiète de tout, Me inquieta demais,
Et ça se déguise en doux, E se traveste em doce,
Quand ça gronde, quand ça me mord, Quando rosna, quando me morde,
Alors oui, c'est pire que tout, Então, sim, é pior que tudo,
Car j'en veux, hum hum, plus encore, Pois eu quero, hum hum, ainda mais,
Pourquoi faire ce tas de plaisirs, Porque dar tantos prazeres,
de frissons, de caresses, de pauvres promesses ? "frissons", carinhos, pobres promessas?
À quoi bon se laisser reprendre Que de bom em se deixar recair,
Le coeur en chamade, o coração acelerado,
Sans rien y comprendre ? sem nada compreender?
C'est une embuscade... É uma emboscada...
À quoi bon se laisser reprendre Que de bom em se deixar recair,
Le coeur en chamade, o coração acelerado,
Sans rien y comprendre ? sem nada compreender?
C'est une embuscade... É uma emboscada...
L'amour hum hum, O amor, hum hum
C'est pas du Yves Saint Laurent, Não é um "Yves Saint Laurent"
Ca ne tombe pas parfaitement, Não cai perfeitamente,
Si je ne trouve pas mon style ce n'est pas faute d'essayer, Se não encontro meu estilo, não é por não tentar
Et l'amour, hum hum, j'laisse tomber ! E o amor, hum hum, deixo passar!
C'est pas du Yves Saint Laurent, Não é um "Yves Saint Laurent"
Ca ne tombe pas parfaitement, Não cai perfeitamente,
Si je ne trouve pas mon style ce n'est pas faute d'essayer, Se não encontro meu estilo, não é por não tentar
Et l'amour, hum hum, j'laisse tomber ! E o amor, hum hum, deixo passar!
Pourquoi faire ce tas de plaisirs, Porque dar tantos prazeres,
de frissons, de caresses, de pauvres promesses ? "frissons", carinhos, pobres promessas?
À quoi bon se laisser reprendre Que de bom em se deixar recair,
Le coeur en chamade, o coração acelerado,
Sans rien y comprendre ? sem nada compreender?
C'est une embuscade... É uma emboscada...
À quoi bon se laisser reprendre Que de bom em se deixar recair,
Le coeur en chamade, o coração acelerado,
Sans rien y comprendre ? sem nada compreender?
C'est une embuscade... É uma emboscada...
L'amour, hum hum, j'en veux pas O amor, hum hum, eu não quero
J'préfère le temps en temps Eu prefiro o de tempos em tempos
Je préfère le goût du vin Eu prefiro o gosto do vinho
Ou le goût étrange et doux de la peau de mes amants, Ou o gosto e estranho e doce da pele de meus amantes
Mais l'amour, hum hum, pas vraiment ! Mas, o amor, hum hum, não mesmo!
J'préfère le temps en temps Eu prefiro o de tempos em tempos
Je préfère le goût du vin Eu prefiro o gosto do vinho
Ou le goût étrange et doux de la peau de mes amants, Ou o gosto e estranho e doce da pele de meus amantes
Mais l'amour, hum hum, pas vraiment ! Mas, o amor, hum hum, não mesmo!
(tradução livre de minha autoria, que infelizmente não conseguiu guardar a poeticidade da letra, - aceito sugestões ;) sempre - que foi tirada do site do terra, mas fiz algumas modificações que me pareceram necessárias)
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